Virtual versus Real

Virtual x real

O que acontece com as pessoas?

Construir relações de contos de fadas nas redes sociais e na realidade viver o oposto?

Antes eu pensava que era questão de falta de coragem, porque as vezes é mais fácil escrever do que falar o que se sente. Mas hoje, eu acho que é outra coisa.

Gente que não se fala, trocando juras de amor online… Oi?

Isso me incomoda muito. Eu sinto falta de realizar todas essas “juras de amor e amizade” no real. Cadê verdade gente? Cadê perdão, cadê abraço, cadê?

E acho que isso não é conservadorismo não. Até porque, eu nunca fui muito de ter que ficar pegando e grudando pra demonstrar sentimentos. Eu sou daquelas que tira uma da sua cara e dá risada pra demonstrar que você é especial e que eu me importo, mas essa ausência de qualquer forma de demonstrar carinho pessoalmente e colar mil coraçõezinhos na página publica da pessoa é contraditório demais pra mim.

Não é mais falta de coragem. É falso. É fake.

E a falsidade está em toda parte. Facebook, instagram… pra que gente?

Porque essa necessidade de mostrar pra todo mundo que a vida é um conto de fadas?

Estes dias eu estava conversando com alguém que reclamou sobre a atual novela das nove e o fato de ter muita realidade, nela. Oi? (de novo)

Eu acho a coisa mais engraçada do mundo, isso: Não assisto novela porque mostra muita violência, porque mostra traição.

Ou seja, mesmo sabendo que tudo isso faz parte da nossa realidade, as pessoas preferem que a novela as ludibrie. As pessoas preferem ser enganadas.

Dá pra conflitar isso com as nossas redes sociais?

Eu não sei se você está vendo semelhança, mas eu estou vendo um bocado.

A vida de mentira parece perfeita, e seria, se não fosse uma mentira!

Entenda que eu não tenho o menor interesse de ver menos amor em redes sociais e mais violência na TV. Mas eu gostaria muito de saber se todos que estão vivendo desta forma, sabem que é tudo de mentira.

Não querer estar em contato com alguma imagem dolorida é uma coisa. Outra é negar a realidade.

Eu acho estranho quando alguém que não fala “oi” pra mim, na rua, comenta uma das minhas fotos. Da mesma forma que acho estranho quando um personagem de uma novela só tem rosas e perfume no seu caminho. Eu sei que todo dia da vontade de fugir da realidade, mas as vezes é importante saber o que acontece lá fora pra saber como reagir, pra saber resolver conflitos com as mudanças que ocorrem diariamente no mundo. Negar a realidade não é bom pra ninguém. Ver o mundo como ele é e enfrentar a realidade ajuda a desenvolver uma tolerância com as mudanças que ocorrem. Porque uma hora você vai precisa sair da sua toca e socializar, e será muito legal de você souber o que fazer pra não agir como um desinformado intolerante.

O mundo vem mudando em uma velocidade sagaz, e é interessante que as pessoas tenham seus olhos acostumados a isso. Eu sou suspeita até, amo uma ficção. Sou apaixonada por fantasia. Mas acho gritante a necessidade que uma boa parte da humanidade tem de realidade. É obvio que eu estou usando um exemplo de mídia que apesar de grandiosamente abrangente é uma parcela muito pequena da informação que o nosso mundo carece, e que em alguns casos existe um “desserviço” deste processo, com informações equivocadas, mas pra quem não pratica a leitura, pra quem não busca nenhum outro tipo de conteúdo, já é um passo. De formiga. Mas é.

Nós precisamos de realidade e eu acho que essas doses de realidade oferecidas pela mídia devem continuar acontecendo, devem continuar incomodando, pra que as pessoas parem de se incomodar, em algum momento e entendam que nem tudo precisa ter a perfeição que alguém, em algum lugar, ditou como regra.

Um dia, eu tenho fé, que os nossos olhos aprenderão a transformar o a realidade em perfeição também, e festejar a realidade e exibir a realidade e se orgulhar da exibição. Mesmo desconcertante e cheia de tropeços, ela pode ser bela, e há de ser.

 

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