Uma Vida Sem Rodeios

uma vida sem rodeios

 

Um dia você acorda, esfrega os olhos e senta na cama. Enquanto a realidade começa a te acolher, você começa a lembrar dos afazeres do dia e lista-los em ordem numérica, e já se antecipando, com mais uma esfregada de olhos, no pensamento:

– Não vai dar tempo.

Uma quinta feira qualquer, a gente acorda pensando que a semana está só no começo. Mas não. Ela está perto do fim. Já se foi mais de meia semana. Na verdade, já se foram alguns meses desde que o ano começou, e alguns anos desde que a década começou. E mais uma porção de tempo desde que você falou que ia fazer aquilo. Ou que ia praquele lugar. Já tem um tempo que você viveu algumas das suas primeiras vezes. E, nossa! Como o tempo passa rápido.

Essa é a frase: Como o tempo passa rápido.

A gente só percebe isso olhando pra todas as mudanças e voltas por cima, aprendizados e deslizes, decepções e traumas. Coisas que todo mundo tem.

E você pensa em todo o tempo que o tempo já te roubou, e pensa em tudo que ainda quer fazer. A gente sempre acha que tem muito tempo, mas a verdade é que ninguém sabe.

Mas a situação sempre tem dois lados. E o lado bom do tempo que se vai, é a maturidade que fica. E essa é a missão. Única e certeira: crescer e amadurecer.

A maturidade traz uma urgência de vida, que é “mocinha” e “vilã”, ao mesmo tempo. Vilã porque ela é pressão. E tem muita gente que não aguenta essa pressão, o som da areia caindo do andar de cima da ampulheta, tem gente que pira, que desiste, achando que:

– Minha hora passou…

Daí a pessoa tende a ancorar, decidida a esperar o resto dos dias bem ali, em terra firme.

A gente perde tanto pensando nisso: no tempo que foi e no que ainda temos, sem perceber que esse pensamento por si só é uma perda de tempo tão grande. É uma espera eterna por uma resposta que nunca virá. Ou virá, mas num tempo que talvez não seja mais tão importante assim saber.

A versão “mocinha”, por outro lado, é a urgência de tocar a vida que a maturidade traz. Um tal de “ir direto ao ponto”.

Você não quer mais deixar aquela conversa pra próxima, aquele abraço pra depois, aquela tentativa pra “quando surgir uma oportunidade melhor”, você só quer fazer. Só ir, e fazer.

Amadurecer significa viver uma vida sem tantas voltas, sem tantos “deixa pra mais tarde” ou “depois eu vejo isso”, assim: indo direto ao ponto.

Se engana quem pensa que os erros não vem deste tipo de atitude, eles vêm, e aos baldes. Muito mais do que antes, quando as atitudes eram cheias de rodeios, na verdade. Mas a gente não liga tanto, ou não liga mais. É normal errar. Hoje sou eu, amanhã você, mas os dias passam e as pessoas esquecem. E se não esquecerem, que vida medíocre estas pessoas devem ter, pobres delas.

Nenhum dos dois extremos da urgência é bom, nem o desistir da pressão, nem o agir de forma imprudente. Apesar disso, pedir desculpas por um erro cometido, me parece muito menos inquietante do que viver todo o tempo que me resta, sendo ele muito ou pouco, com este bando de ideias e planos, por realizar.

E hoje, eu só te desejo um balde cheio de urgência de vida, e que você faça o possível pra transformar o peso desta responsabilidade de buscar o seu próprio futuro feliz em energia motora, e não em toneladas e aço maciço que só fazem força contrária quando nossas asas tentam levantar voo.


Bia

“Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto.  (…) Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.” [Martha Medeiros]

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