FRIENDZONE

Uma História Sobre O Outro Lado Da Friendzone

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Esta história harmoniza com a melhor do Zeeba
Com os olhos presos em algum objeto imóvel, como se isso a transportasse de volta, a voz muda de tom, agora é lento, doce. Ela fala sobre aqueles dias com o carinho de quem manuseia algo querido e delicado. Ela imortaliza a história sempre que conta. E ela conta a história sempre da mesma forma.
– Ele era meu melhor amigo.
Ela fecha os olhos e entrelaça as mãos como se ainda pudesse buscar o toque na memória.
– Mas ele não entendeu o meu amor por ele. Ele queria algo que eu não poderia oferecer. Ele era meu amigo e quando eu disse isso, ele achou pouco e foi embora.

Eu fico pensando que tipo de pessoa pode achar pouco a amizade de alguém. Uma amizade tão sincera e pura. Eu julgo desta forma pelo carinho que ela usa pra pronunciar o nome dele até hoje, 15 anos depois. Da pra ver aquele meio sorriso que os olhos denunciam como felicidade quando ela conta que com ele, as paredes daquela escola nunca pareciam sem cor e quanto a voz dele preenchia a solidão que as vezes a invadia por dentro e que, quando ele resolveu ir embora, tomou conta.
Os olhos se contraem como se uma ponta de dor voltasse sempre que ela chega nessa parte da história: a parte onde ele recusa a amizade dela e vai embora.

– No outro dia ele não olhava mais pra mim da mesma forma. Eu gosto de pensar que ele não fazia ideia de como era aquele amor que eu sentia por ele. Depois disso, eu resisti mais alguns meses e resolvi abandonar os estudos. Eu acho que ele nunca soube disso. E também acho que ele não se importaria.

Ela contrai os ombros e respira fundo, parecendo um ritual que a ajude a abandonar aquele sentimento.
Perguntei se ela se sentia culpada, e ela disse que sim a princípio, mas que depois entendeu:

– Era tudo que eu podia oferecer naquele momento e pra ele era pouco. As vezes acontece, né? Talvez ele nem soubesse o que era aquilo, talvez hoje ele saiba e talvez o amor que eu ofereci na época, hoje, faça sentido pra ele na mesma proporção que fez e faz pra mim. Talvez ele tenha entendido, talvez ele tenha me perdoado. Mas eu já me perdoei e isso basta. Por muito tempo não bastou, mas hoje eu entendo que pra ele, pode ter soado como uma rejeição, da mesma forma que soou pra mim. Fomos ambos rejeitados, estávamos em tempos diferentes e fomos sinceros com o que sentíamos. O saldo foi bom no fim das contas, oferecemos o que tínhamos, seria muito pior se qualquer um de nós prometesse algo que não tinha.

Ela me disse, que quando o vê, hoje em dia, sente a mesma coisa que sentia antes, disse que a distância não diminuiu em nada a gratidão que sente por aquele período em que tudo foi eterno.

Essa história pode ser sobre o que você quiser, mas pra mim  ela é a vivência do amor na sua forma mais pura. Sem expectativas, sem promessas, regada a perdão e servida em doses de eternidade.

Tomara que ele saiba o tamanho do carinho que ela usa pra falar dele. Tomara que hoje ele tenha percebido que foi embora achando que ela não o amava, mas o fato era que ela amava demais.

<3

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