Tú te tornas eternamente responsável pelo que cativas: A Verdade

Esse texto harmoniza com Marmozets.

tu te tornas

‘Tú te tornas eternamente responsável pelo que cativas.’

E eu vou começar este texto com este clichê sim porque diante de tanta gente interpretando essa frase como quer na internet, eu me sinto livre o suficiente pra dividir com vocês a forma que eu interpreto a frase.
Essa frase se encontra no livro ‘O pequeno principe’, publicado em 1943 por um francês/ escritor/aviador/ mil coisas que vocês podem ver na Wiki se quiserem, porque de detalhes técnicos eu paro por aqui já que o foco do texto não é fazer resenha do livro – não hoje. Mas que a história é maravilhosa: isso é. Me ensinou muita coisa e em cada releitura eu consigo enxergar a história de uma outra forma, aprendendo novas maneiras de lidar com as coisas da vida. Já contei um pouco disso tudo aqui, mas este texto é outra história.

Voltemos a frase:  ‘Tú te tornas eternamente responsável pelo que cativas.’

O cativar aqui, vai muito além de paixão, de amor, ou de qualquer tipo de sentimento que se traduz num relacionamento. Vai além. E o maior problema que as pessoas vêem nesta frase é o ‘eternamente’.
Quando se interpreta ao pé da letra, parece que a frase te diz pra não terminar relacionamentos nunca, ou coisa do tipo. Há quem diga que a frase se trata de ter que pra sempre se sentir culpado por se afastar de um relacionamento (aqui entra amizade também) que já teve o prazo vencido.

Na minha opnião de leitora e fã da história, essa interpretação esta equivocada. A história, apesar de curta, é complexa, pesada de detalhes e com tanta profundidade nos diálogos que a gente nem devia ousar avaliar o sentido da frase tão superficialmente assim.

Tú te tornas eternamente responsável pelo que cativas, não fala sobre o outro. Fala sobre você. É. Você mesmo que está lendo a frase. Não é o outro que não pode ser abandonado, mas o pedaço do outro que ficou em você depois que o ‘cativar’ aconteceu.

As conexões da vida, que nos permite cativar pessoas, nos transforma de alguma forma. Estas conexões nos constroem, por que a vida é feita disso – conexões. Já disseram por ai que o homem não é uma ilha, não é mesmo? Então.

Conexões, meus caros. A gente se encontra em uma constante evolução e essa evolução não seria nada sem esse cativar que acontece, as vezes por poucos minutinhos e termina. Termina sim, por que pode terminar. O que é eterno é o que você cativou. O pedaço do outro, que agora faz parte de você, por ter te modificado. Aderência. Você é eternamente responsável por que agora é isso que você é, e não dá pra se abandonar. Como isso é lógico.
Eu não to dizendo que você não consegue filtrar o que fica em você do outro, pelo contrário. Quando a gente cativa algo ou alguém, o que fica na gente é sempre alguma coisa que faltava aprender. Ao cativar, absorvemos e somos responsáveis por aquilo, aquilo se torna parte da gente e do nosso caráter.
Eu nunca vi nexo na interpretação que as pessoas davam para a frase, como se fosse objetivo do principezinho nos ensinar que as coisas não partem, ou que não devemos deixar nada pra trás, ou que não devemos partir, quando tudo de mais precioso que eu aprendi com a história foi justamente o oposto. As pessoas vem, intensas, puras, diferentes, nos cativam ou não, nos transformam ou não, mas acima de tudo, elas partem um dia.
Mais do que sobre cativar, a história fala sobre partir. Sobre desprendimento. Sobre deixar ir mas continuar sendo responsável por uma parte boa do outro, a melhor que você encontrar- se possível.

Assim é a vida, assim é o amor, a amizade, a morte. Cativar pra depois deixar ir e, sempre que sentir saudades poder amenizá-la olhando pra dentro de si mesmo.

‘Tú te tornas eternamente responsável pelo que cativas.’

Tudo muda, as situações passam por você, e você permanece como nunca foi antes.
E isso é bonito demais, sim senhor.
<3


Bia

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