Tentando Entender os Mal-entendidos

Fundo tentado entender os mal entendeidod

 

O mal-entendido vem para ensinar, mas a gente não aprende assim logo de cara, leva tempo, leva um bom tempo. Enquanto isso, a gente se revira na cama, olha o celular, revira a rede social, sonha com o que poderia ter feito de diferente, reflete, esquece de tocar a vida e fica matutando no famoso “o que”.
O que causou, o que afastou, o que poderia desfazer, o que fazer…
O x da questão do mal-entendido a gente só entende um bom tempo depois.

 

A mudança está em tudo. O objetivo é a evolução, acontece que nem tudo está pronto para evoluir, e o que não está, para de ser e libera espaço.
O mal-entendido nunca serviu para esperar o outro vir resolver ou para testar algo, ele é a poda que tudo na vida tem que ter para continuar crescendo.
Já ouvi comparações feitas de relacionamentos com o café: “depois de frio, perde um pouco o sabor. Não é mais como antes” – dizem. Acho que existe comparação melhor, e uma sugestão seriam as plantas. Assim como elas, no auge do que se pensa que seja sua maturidade, há de se podar para que venha o novo, a nova fase das folhas mais fortes e brilhantes, com chances de vingar por mais um longo tempo até necessitarem de uma nova poda, uma nova fase e então, mais uma etapa de vida.
Ou talvez então, a comparação com o café faça sentido. Depois da poda, nada fica é igual, tudo muda, cresce de outra forma. A capacidade de entender se esta nova forma de crescer ainda se encaixa como um relacionamento para cada um de nós é muito pessoal.
O mal-entendido não acaba com nada. Ele limpa.
Ele é a prova do nosso livre arbítrio e do nosso bem querer. Não existe necessidade alguma de se desfazer mal-entendido se o bem querer se foi, ainda que de apenas uma das partes.

 

Lutar para que algo vingue a sombra de algo que não está mais ali é perda de tempo.
O mal-entendido é o que define o fim de uma reta e começo de outra, diferente. As coisas acabam para todos, e mesmo que em uma relação de dois onde acaba apenas para uma das partes, existe a necessidade da outra parte deixar estar. Não tem conserto, não tem espera, não tem reflexão e nem tempo investido que vá trazer de volta a vida, uma planta incapaz de suportar a fase que virá após sua próxima poda.
Por isso eu tenho plena consciência do quão a transparência é importante em qualquer contato com outro ser. Do quão é importante se mostrar por inteiro ao outro, rude, amargo, azedo, sensível, mas sincero. Seja lá como for, mas que seja de carne e osso, passível de erros, e não um punhado de metas e considerações que acreditamos que o outro espera de nós.
Pessoas verdadeiramente inteiras aguentam quantas podas vierem, e sofrem bem menos durante os mal-entendidos, já que nunca serão sobre expectativas construídas frente a sua própria personalidade.
Deixe que o outro decida se será capaz de suportar todas as podas que os mal-entendidos travarão ao longo da relação e, mesmo assim continuar com uma vontade absurda de ver tudo renascer, do jeito que vier.
Deixe que você valha a pena por você ser quem você é.
E se alguém no futuro não aguentar alguma de suas podas, que se vá. Deixe estar.
A força se mede pelo confronto com a verdade, e a capacidade de não sucumbir diante dela. Quem segue adiante, poda após poda ao seu lado é quem realmente faz falta: Cuide.


Bia

Pssst, desculpe a demora! :3

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