Ele

Take 1


Ele

Este texto harmoniza, obviamente, com Wonderwall.


Ele definitivamente não era o genro que toda sogra queria;

Mas ela gostava. Ela sempre teve uma tendência a gostar de coisas que não entendia;

Com o amor era assim também. Em um determinado dia ela observava as coisas ao redor. Esse era o passatempo preferido dela, olhar o mundo ‘sendo mundo’. Na janela, tinha uma manhã cinzenta, normal na capital, algumas pessoas apressadas pro trabalho, pra vida ou pro nada, como todo paulistano costuma ser, tinha algumas coisas que chamavam atenção tipo a fila no starbucks da haddok que cruza a alameda Santos, e a quantidade de carros bonitos que circundavam aquele local, tinham algumas pessoas engraçadas na rua, mas o mais diferente, naquela hora da manhã, definitivamente era aquela menina de samba canção, tomando café sentada na janela do hotel esperando por novidades.

Ele chegou, e a acolheu num abraço, enquanto dizia, suavemente, algumas frases em seu ouvido, dentre elas:

– Maybe you’re gonna be the one that saves me…

Ah! Aquela música fazia com que ela perdesse o rumo do presente e cantasse de olhos fechados, sempre… Mas, naquele momento, a frase sozinha fez sentido na cabeça dela e foi como se uma onda de sobriedade entrasse pela janela junto com a brisa que soprava seu café.

Não era isso que ela queria ser, não de novo!

Ela queria ser cuidada, queria ser importante, queria trazer o melhor dele a flor da pele, mas de forma alguma ela tinha intenção de vir como a cura de algum mal, muito menos, obrigatoriamente. Ela já sabia que isso não dava certo.

Ela não tinha muita certeza sobre nada, mas sabia que não seria a cura de nenhum câncer.

– Eu preciso ir  – Disse, vestindo seu jeans surrado, e procurando os sapatos com os olhos.

Ela não queria ir, lá dentro estava quente e o cheiro da pele dele trazia sentido pras coisas que não faziam sentido na vida dela, mas ela precisava ir!

– Mas você não trabalha hoje – Disse ele

– Sim. Mas vou mesmo assim.

Ele não poderia saber, só quem já viu como é a estrada consegue fugir de algo assim, com a certeza de que não se arrependerá.

A manhã estava fria, mas ela saiu por aquela porta mesmo assim, e caminhou decidida sem olhar para tras.
Que o tempo se encarregue de mostrar que as respostas para as nossas dores não estão nos outros, e que assim, talvez um dia nós paremos de culpar as pessoas pela nossa perdição.


-Mas disso ela já sabia, ela já havia sentido a dor de querer, mas não poder curar.

 <3

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