Sobre Ser Ou Não Ser “Normal”

Eu não sei ler um só livro por vez. Outra coisa que eu não sei é não querer repetir boas leituras.
Eu penso assim: As vezes a gente não gostaria de voltar atrás e reviver uma época boa? ué, então porque não rever um bom filme, livro ou seja lá o que for. Repetir é bom e saudável. Fim.

Além do mais, eu percebo que a cada leitura algo novo me fascina.
Por esta razão, a minha cabeceira vive lotada de livros. Não necessariamente livros que nunca li, mas livros que leio, aos poucos. Dependendo do meu humor eu escolho um. O livro sobre o qual vou falar é um destes, repetidos: surrados e companheiros.

” A turma era apaixonada pela Lívia”(…). Assim começa o conto que mais me fez pensar em um dos livros que enfeita a cabeceira da minha cama.

O livro é uma gostosura de se ler, como qualquer “Veríssimo”, mas este conto em especial é sagaz.

Ele conta a história de um grupo de amigos composto por uma menina e cinco meninos. Ela era a musa inspiradora do grupo. A Lívia era meio doida, mas mesmo assim a turma a seguia em suas ideias até onde a amizade durou. A história termina com o encontro entre a Lívia e um dos integrantes da turma, anos depois da separação.
O conto fala sobre escolher estar no universo da normalidade (aquele sem grandes emoções, mas que não faria ninguém suspeitar da sua integridade moral) ou o universo de lá (onde pouco se importa com a interpretação alheia), que era mais autêntico, com menos regras e menos aceitabilidade do resto do mundo.

Este livro, assim como qualquer obra que reúna contos e crônicas, é uma leitura que me descansa os olhos diante de livros de histórias contínuas.

Esse conto, em particular, que leva como título o nome do livro, me faz pensar muito nas escolhas que fazemos. E como elas nos tornar interessantes, ou não.
Vamos ser sinceros que nem sempre a gente coloca as nossas próprias vontades acima de tudo pra tomar nossas decisões. As vezes, e infelizmente na maioria delas, nós só tomamos decisões porque “alguém acha certo”.
Não é errado querer ser aceito. Só em casos onde isso anula a nossa felicidade.
Ou você vai querer me convencer de que se você nasceu pra ser jornalista e, mesmo assim, presta engenharia na faculdade é por pura vontade própria?
Uma óva que é.
Você quer aceitação. Mas você também quer felicidade. E em alguns casos, pra não dizer todos, estas duas vontades são completamente contraditórias.
Você acredita que tranquiliza os parentes, que acham que você é sensato e responsável e por outro lado, inquieta a alma por tempo indeterminado.

E o texto faz pensar em qual vantagem vemos em querer ser sempre tão aceitáveis, sendo que o mais interessante sempre é o que foge a regra.

Últimos Quartetos de Beethoven - Luiz Fernando Veríssimo.
Últimos Quartetos de Beethoven – Luiz Fernando Veríssimo.

 

Livro: Os Últimos Quartetos de Beethoven e outros contos
Autor: Luiz Fernando Veríssimo
Editora: Objetiva

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