sobre o amor e as coisas que ela inventa

Sobre o amor e as coisas que ela inventa

Sobre o amor e as coisas que ela inventa harmoniza com Iron & Wine.

Ela não sabia porque, mas nela doía as vezes esse processo de estar fora do chão. Pensava que talvez, o “não ter acontecido” fosse o motivo. O desapego do que passou e não foi, era um processo penoso e quase sempre terminava por um ressuscitar no meio de uma noite quente, onde a lua estava maior do que de costume e ela deitava no chão para admirar e lembrar de coisas bonitas, geralmente aquelas que terminaram por não ser por um motivo ou outro.

Ela pensava sobre o quão bonito eram situações como aquelas. O fato de não ter tido um roteiro certeiro e comum, o fato de não ter tido fim e de simplesmente ter se perdido no tempo. O fato de hoje, olhar pra trás e intercalar sensações surreais dos pequenos detalhes como texturas de roupas e peles que lhe vem a mente como verdades que ela não saber ao certo se eram reais ou inventadas.

Estar fora do chão era o seu passatempo favorito, exceto nas vezes em que doía.

Nestes casos, ela preferia brincar de imaginar um fim pras histórias que não tiveram, um fim irremediável e definitivo. O objetivo era talvez fazer com que a mente, por um descuido, tomasse como verdade e deixasse o passado morrer, como deve sempre ser – dizem. Quase sempre funcionava, mas haviam aquelas noites quentes, e aquela lua maior do que deveria ser e era fatídico, assim como fechar os olhos ao som de “Clair de Lune”: Inevitável.
O que restava então, era aceitar. Aceitar que aquela mente inventiva e dramática jamais conseguiria deixar de poetizar uma lembrança boa, aceitar que, talvez, aquela mente dava os melhores finais para tudo.
Me desculpe vida, mas os finais inventados por ela, sempre eram os melhores finais. Todos acreditavam e se encantavam, as vezes até ela mesma deixava esboçar um sorriso de satisfação dentro do elevador, enquanto pensava no que acabara de inventar. Que final bonito. Que situação mais mágica. Só ela sabia o que era ou não verdade. As vezes nem ela sabia.
Deixar sair a verdade crua? E a qual preço? Se a vida é mesmo o que se pode sentir e o que ela sentia era isso, ela sentia demais, dramatizava tudo que podia e algumas situações tomavam lindas e adoráveis curvas. Ela colocava graça nas coisas.
Porque deixar sem sal. Triste? Se pode ter mistério, romantismo, drama e um toque de “what if” pro futuro que há por vir?

Ela gostava de manter assim. Alguns detalhes guardados só pra ela. Era assim que ela seguia em frente.
E quando o baque vinha: não entendia, sofria as vezes um dia ou dois, mas renascia. Sabia que ela era o ponto chave destas histórias todas, e que era necessário seguir pra que as próximas cenas pudessem vir e pra que ela pudesse recriar os seus finais em cumplicidade com a lua grande no céu.
– Deixa o acaso vir e fazer aquele estrago que depois eu arrumo, dizia ela – Cinematograficamente.

<3
Bia

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