sinto muito

Sinto Muito

O luto é como o amor: é uma experiencia viva. [Sarah Vieira]

Uma das coisas mais curiosas de quando eu era pequena, eram as pessoas que sempre estavam nos funerais em que minha avó me levava.
Sempre.
Eu perguntava pra minha avó quem eram aquelas pessoas e ela dizia que tinha gente que gostava de ir em velórios, até de desconhecidos.
Por muito tempo eu pensei que estas pessoas deveriam ser desocupadas demais para gostarem de um evento que a maioria evita. Hoje eu fiquei presente pra uma interpretação nova para estas pessoas que marcam presença nos funerais: Elas vão em busca do sentir.

A morte é o evento onde é impossível não sentir.
Você pode fingir que está feliz em uma festa, ou pode fingir melancolia quando algum amigo perde o emprego, mas durante um funeral, você sendo familiar ou não, é impossível sair sem deixar um pedacinho de entrega. Sem sentir nada.

Os funerais são mares de emoções genuínas das mais ricas espécies
Ali, tudo é escrito cuidadosamente por dramaturgos dos bons. Naquele cenário, o vento, o silêncio, a chuva, tudo vira poesia.
Você mergulha neste mar sem querer.
Você lê os olhos e os trejeitos das pessoas sem querer.
Você se conecta com toda aquela áurea que está por ali e mergulha e, por fim, você sente.

Algumas pessoas sentem falta do sentir.
Não é fácil ver tudo tão artificial o tempo todo. As vezes a verdade faz falta.
As vezes sentir alguma coisa faz falta, nem que seja uma profunda tristeza sem chão.

As tristezas e os dramas são os agentes motores mais preciosos. É preciso sentir a areia movediça para querer sair dela.
O problema é quando você decide ficar.
A morte é o evento terreno onde as almas presenciam a vida na sua forma mais limpa e pura.
A morte é a vida em dobro.
Diante dela só é possível sentir,

Sinto muito.

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