Se Limita e Se Liberta!

Fundo

 

Tem loucura maior que essa? Tem não. Mas para para pensar: Sempre que a gente tem todas as opções na mão, fica feito doido, perdido, correndo de um lado pro outro, fazendo tudo, sem fazer nada. O foco some, o que importa parece se diluir. Você esquece a prioridade, que era liberdade, e se concentra em todo o resto, que é um bocado de coisa.
Você se perde.

Estes dias, lendo Austin Kleon, voltei a pensar nisso: o que impede a liberdade plena. E, é isso! Quando você tem tudo, você não tem nada. Excluir é interessante pra que você possa se focar no que realmente está afim, e por fim, ser livre pra se buscar no meio da várzea toda.
Se restringir, saber negar coisas, foco. O foco liberta.
E é neste ponto que, as pessoas portadoras de algum nível de déficit de atenção, como eu, tem um puta problema.

Ter todo o tempo do mundo, todos os caminhos do mundo, todas as ferramentas do mundo, todos os recursos do mundo, de alguma forma misteriosa castra a criatividade.
É só pensar nos maiores momentos de criatividade que você já teve na vida. Quando produziu um bom trabalho, nunca foi com o silencio suficiente, no ambiente mais propício, com as ferramentas mais certeiras, mas mesmo assim você fez, você criou algo realmente bom, mesmo não tendo tempo o bastante ou dinheiro o bastante. Mesmo tendo só uma folha rascunho e um lápis 6b com ponta gasta. Mesmo ouvindo gritos ao fundo e talvez com um pouco de dor de cabeça. Produziu no intervalo do lanche ou durante aquela revisão importante para a prova que, por sinal, seria bom que tivesse prestado atenção. Num momento errado, com tudo errado, mas a criatividade veio e aos tabefes te forçou a produzir, e você fez, e fez bem feito, e gostou de fazer.

A hora perfeita não existe, o tempo ideal é balela. As circunstâncias mais alheias ao momento perfeito, ajudaram a produzir algumas das melhores obras.
Eu gosto de pensar que cada uma das criações históricas, artísticas e inovadoras foram produzidas durante um evento em que o artista não tinha tudo o que precisava pra criar, e eu sei que isso tem muitas chances de ser verdadeiro.
Quando as coisas estão fáceis demais, da mesma forma que quando estão incompreensíveis demais, os agentes de mudança não serão despertados. Teremos sono, desinteresse, fome, vontade de fazer outras mil coisas, mas criatividade que é bom, nada. Ao contrário de quando as circunstâncias são pouco ou nada propícias.

Enquanto pessoa que escreve, eu sei bem que tenho vontade de escrever nos momentos menos oportunos possíveis.
A coisa a se fazer no caso de a criatividade fugir, então, é entender que é necessário diminuir. Restringir – eu diria, mesmo soando contraditório.
Tomar a decisão de tirar o excesso da frente, até sobrar pouquíssima coisa da qual se valer. Pouquíssimos caminhos, pouquíssimo tempo, pouquíssimas opções, pouquíssimos tudo. A visão vai melhorar, vai ser bem mais fácil escolher o rumo e remar, com pouco ou nada no bolso, mas verdadeiramente livre, navegando no próprio dom de criação.

Você é um artista, as principais ferramentas das quais precisa estão todas dentro da sua cachola. Você só precisa deixar todo o excedente fora da sua bagagem e se permitir ser tão bom quanto realmente é, sem ter medo de não dar conta se tudo no fim der muito certo.
Vai dar certo.


Bia

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