Roteiro Desfeito

Eu reli algumas cartas e e-mails antigos. Pensei. Perambulei pelo quarto. Olhei meu mural sem fotos, sem lembretes e me perguntei:

– Hey, será que você sabe mesmo pra onde está indo?

Quase sempre eu fui assim, impulsiva, cabeça cheia, tentando ter planos riscados em um papel.

Tudo sempre demorou muito pra dar certo pra mim, isso porque eu demoro sempre a lembrar que as coisas dependem de mim.

Planos são ótimos, mas eles funcionam em partes, em porcentagens, nunca em totalidade. Se isso não é um sinal de que ninguém pode ter controle absoluto pela própria vida, eu não sei o que é.

Eu gosto de pensar que eu preciso de uma força motora. Eu gosto de pensar que os sinais, aqueles que nos acordam do sonambulismo, estão perdidos em pequenos “quotes” de vida. As vezes em formato de filmes, livros, musicas, estranhos que puxam papo na rua, paredes grafitadas, placas, frases de efeito, enfim. Escolha o que quiser como exemplo.

Mas comigo é sempre assim.

Sou uma esquecida de carteirinha. Coloco tudo no papel porque já assumi que sem as anotações eu me esqueceria do meu nome, talvez.

Se não fosse assim eu não teria o que fazer para retomar o rumo (ainda que parcialmente), naquelas manhãs em que absolutamente nada faz sentido.

Pois bem, o problema dos planos, de se apegar as anotações no papel, é que quando alguma coisa foge do controle e não era, necessariamente algo que estava nos planos, bem… aí então os planos param de fazer sentido.

E ai está você, sem plano, sem mapa, sem rumo. Você ainda tem vagas ideias, mas nada delineado, nada planejado. Você tem grandes montanhas de post-it não interligados espalhados no chão da sala, e você não sabe por onde começar a organizar.

Bem, nestes dias, primeiro você precisa entender que é bom retomar as rédeas antes e tomar decisões importantes (como o rumo de uma vida).

É preciso respirar fundo e relaxar. Manter a calma. E isso nunca foi meu forte.

Um novo plano deve ser escrito. Mas antes, muita coisa deve ficar pra trás. E outras devem ser recicladas. Uma delas e talvez a mais importante: A autoconfiança de que seja lá o que for, você pode superar.

Não é fácil se convencer de que está fazendo a coisa certa, ainda mais em tempos difíceis para os sonhadores, como os que vivemos desde a época de Amelie Poulain, mas, vamos em frente, amigos. Em frente.

“Chasing the past, she stumbled into the future” [Being Erica]

<3

Photo credit: Jamierodriguez37  from www.morguefile.com

 

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