Podar Pra Se Refazer ( e Feliz Ano Novo)

podar pra se refazer

 

Esse texto harmoniza com Thank U.

Houve um episódio uma vez em que meu tio e a esposa brigaram feio e em conversa escutada atrás da porta, ouvimos a palavra separação.
Eu achei que ia morrer. Acho que foi a primeira vez que isso aconteceu. (depois dessa, vieram várias)
Eu tinha lá meus 7 ou 8 anos e aquela palavra caiu como uma bigorna no dedão: “separação”. Não era bom, com certeza não era. Me reuni com os primos e resolvemos pedir aos céus, fazer protesto na chuva, chocar alguém, ou sabe se lá o que mais pra impedir aquela coisa horrenda.
Pegamos um arsenal de sombrinhas e fomos em baixo de chuva ‘protestar’. Só sairíamos dalí quando os dois reatassem. Nem preciso dizer que fomos obrigados a voltar pra dentro em menos de 5 minutos, sob o castigo de perder o resto do dia sem brincar juntos.

Eu, no auge da minha infância no seu modo mais puro, começaria a entender que a separação, por vezes, é um daqueles maus que vem pra bem que a vó da gente tanto fala.
Os meus tios reataram aquela noite, não por nossa causa, claro. Mas reataram. Para se separarem definitivamente 3 anos mais tarde. Era pra ser e foi tudo no seu tempo, no tempo deles.

Meus tios sobreviveram. Eu sobrevivi. Nós todos renascemos inúmeras vezes desde então, juntos e separados. Por isso e para isso.
Por que no começo, qualquer tipo de separação é um motivo para renascer e depois de um tempo, vira uma causa pela qual se renasce sempre.
Hoje eu parei para pensar no tanto de separação que a gente adia, por não ter certeza do que realmente quer, ou por que ‘antes era tudo tão bom’. A gente adia até onde dá.
A gente aguenta amigo escroto porque alguém um dia disse que amizade era coisa pra guardar debaixo de sete chaves. A gente aguenta o relacionamento por que a regra é o “felizes para sempre”, ou “o que Deus uniu o homem não separa”. E ainda tem aquelas separações que a gente não controla e são como verdadeiras topadas de mindinho em quina de mesa. Dói num tanto, que a gente não sabe se vai voltar a respirar sem que seja por obrigação.
Mesmo acordando todas as manhãs num mundo completamente novo em seus detalhes, a gente insiste em querer as coisas todas perfeitas, imutáveis, nos seus lugares e se possível, pra sempre. Coisinha mais contraditória esse ser humano.

Desde sempre foi assim: sem bandeide no joelho = sem aprendizado. A lei principal pra sobrevivência é se reinventar, dia a após dia. Incansavelmente. Separar-se de um passado que não espera por você. Separações. E olha a gente aqui, seguindo regra do passado, perpetuando o falido. A gente não aprende mesmo.

Parece que a estabilidade da mente está em ver com os olhos acostumados, caminhos já percorridos, estradas já gastas. Assim, parece que nada de ruim vai acontecer com a gente.

Bom, tenho uma novidade pra você: ainda que você use a mesma meia de 1999, ou o mesma roupa do natal passado, a vida muda. Os dias se renovam e você é separado das suas certezas e quereres dia a pós dia. A vida muda e isso não depende da sua permissão pra acontecer, as mudanças são naturais. Surgiram com o mundo. O mundo é renovável e as certezas não existem.

Você pode mergulhar em todo o planejamento que você quiser, mas guarde um tempo pra se preparar caso tudo dê errado. Guarde um tempo pra dizer pra si mesmo que tudo pode dar errado e que mesmo assim o sol volta. Anote isso na parede do seu quarto pra se lembrar, sério.

A saída de emergência pra acalmar a sua mente quando o mundo ruir (ainda que você não saiba muito bem qual seja essa tal saída), deve estar no mínimo definida numa pastinha mental junto com seus planos. Por que o mundo muda. A vida muda. E estas mudanças são tudo o que a gente não quer e ao mesmo tempo, tudo que a gente mais precisa.

Trace sua rota de fuga. Aprenda a tentar aquietar a sua mente.
As separações existem e tudo vai acontecer ao seu tempo. Seu tempo, e tempo da vida.

A caverna mais segura é aquela onde você sabe que pode voltar mesmo depois de uma ventania forte e esperar pacientemente até voltar a se reconhecer no espelho.

Separe-se das suas certezas. Planeje o melhor. Prepare-se pra tudo dar errado. Planeje ser feliz se tudo der errado. Se joga na chuva, mas dessa vez, pra lavar a alma de caminhos certos por que isso não existe. Não existia em 1995 e vai continuar não existindo em 2017 e essa é a única certeza que você pode carregar no seu bolso quando estiver olhando pros céus na virada do ano, mentalizando tudo o que deseja.

As quebras de paradigma existem, e elas são como as podas necessárias da flor pra brotar a tão inesperada e renovada muda. Ainda bem.

Em 2017 eu desejo que você aproveite todas as suas podas. Feliz ano novo!
Com amor,
Bia.
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