Planos de Ensino Médio

No ensino médio eu tinha um grupo de amigos, que eram alguns dos melhores que se podia ter. E lá, nós todos sabíamos o que queríamos fazer da vida. Imagina! Com 17 anos quem é que sabe exatamente o que se quer fazer da vida? Quem é que sabe isso aos 27?
Bom o fato é que nós sabíamos! Escolhemos o curso, a faculdade, o lugar pra morar,  juntos, lógico. Nós definimos tudo, até mesmo o dia de cada um lavar a louça.
Se isso não é ter certeza do que se quer, então, eu não sei o que é.
Nem preciso dizer que furou. Nada deu certo. Alguns nem chegaram a fazer o vestibular naquela faculdade, com aquele curso. Nunca chegamos a morar juntos e nem lavar a louça da janta por ordem alfabética.
O mais interessante é que cada um de nós tinha vocação pra fazer exatamente o curso que havia escolhido. E apenas dois seguiram.
Encontrei um destes amigos desta turma que, assim como eu, não seguiu o curso prometido e perguntei por que os planos de curso haviam se perdido, já que a vocação era tanta. A minha resposta:

– Eu amadureci!
Eu não respondi nada.
Mas pensei por dias…
Eu também amadureci. Mas não sou hipócrita. Eu ainda gostaria de seguir aquela área, que eu planejei quando tinha 17 anos. E mesmo sabendo que aquele diploma pode não me dar o salário que eu mereço, é pra isso que eu estou aqui. Eu sirvo pra isso. E acho que depois de dizer isso tudo, eu posso dizer que eu amadureci. Por que eu soube entender que vocação existe, que felicidade também existe e que a soma das duas pode não resultar em grana alta, mas se você estiver disposto a ser feliz, que valha a pena então a caminhada e que se faça de um tudo para não perder os planos num destino inventado para satisfazer egos, e não corações. Para satisfazer expectativas alheias e não as suas próprias, para plantar sorrisos falsos no lugar de felicidade plena, porque destino existe, meu camarada, e destino não pode ser medido por cifrões.

<3


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