Peace by Peace

Me desculpem amigos! Eu entendo, apesar da polêmica ter surgido há pouco tempo, o cansaço que é só ouvir e ler opiniões sobre as tragédias recentes de Minas Gerais e Paris nas redes sociais, e sei que a minha tristeza perante os dois assuntos pode ser compartilhada com vocês.

Diante de tudo que foi elencado pela imprensa, busquei sites que trouxessem informações sobre a forma correta de ajudar as vítimas das tragédias, minha surpresa foi a dificuldade em encontrar tais informações em meio a um mar de fúria que se formou dividindo o Brasil em dois “times” em uma discussão até agora sem nexo, para mim, sobre qual tragédia merece mais a piedade da nação brasileira.

Li tudo que pude, até começar a bater um certo constrangimento. Depois disso, decidi escrever.

Eu parto do princípio de que este “embate” reflete muito sobre todos os conflitos de opiniões acerca de outros tantos assuntos da atualidade. Leis, Sexualidade, Família, Política, e etc. O cenário é o mesmo: Pessoas querendo ditar as regras sobre o que o resto do mundo deve sentir, como se posicionar e com o que se indignar. A maior preocupação das pessoas é com como o outro deveria estar se portando.

Mas eu não quero tirar a atenção das tragédias ocorridas pelo mundo, assim como está se fazendo por toda a web na tentativa de provar o quanto a opnião alheia está equivocada, quando deveriamos estar nos mobilizando para divulgar as formas de promover ações que ajudem estas regiões neste momento tão difícil.
Eu não quero respaldar a hipocrisia aqui neste texto, quero deixar claro que respeito seja lá qual for a sua opinião. Nos resta tão pouca liberdade de escolha na nossa atual “democracia” (e você sabe porque eu coloquei esta palavra entre aspas), que eu lhe resguardo, ao menos, o direito de ter preservada a sua própria opinião. E, em retorno, peço respeito pela minha.

A opinião pouco importa aqui, mas o respeito a do outro. Mas o que está em pauta aqui é: menos opinião e mais calor nas mãos.

Partindo do princípio de que: Não é importante saber quem sofre mais, o importante é ajudar. Qualquer movimentação, que não seja a ação de ajuda, me parece só as pessoas tentando ter razão, mostrando que as escolhas alheias estão equivocadas, julgando e jogando as suas apostas em rinhas públicas, instigando mais e mais a desunião e o rancor.

E o mundo esperando por união…

Ver a cor, a distância, a nacionalidade, as fronteiras, o pensamento político ou o que quer que seja como fator determinante na escolha de direcionamento da sua piedade, não tem nada a ver com a igualdade que buscamos em todas as nossas ações. Em toda a nossa luta histórica por aceitação as diferenças, que já derramou tanto sangue história afora.

Ajude. Faça alguma coisa. Levante e tome uma atitude, faça tudo o que puder. E estará fazendo muito mais do que aqueles que estão discutindo o sangue de qual parte do mundo é mais valioso, sentados em seus lares com paredes firmes, chão quente, tendo água para beber e comida para comer (por hora), ainda que tudo isso seja construído em hortas, rios e matadouros financiados pelo próprio governo que encabeça a pirâmide da desigualdade que tanto almejamos, mas não temos. Talvez por essa tal união que nunca acontece.

Aqui estamos nós, batendo no peito e clamando por igualdade, sem ao menos saber o que significa de verdade.

Não é só a memória que é fraca, é o egocentrismo impregnado em nossa cultura que torna difícil até mesmo igualar o peso das lágrimas dos inocentes, que, independentemente de onde estiverem e pelo motivo que seja, pesa igual no fardo do mundo que morre.

E nós expectando, e julgando, e berrando razões aos céus como hienas, não passamos de iguais àqueles que nos veem pedindo por um Brasil melhor e fazem dos nossos gritos, mudos.

Esse é o pior problema da sociedade. Ao invés de procurar motivos para se unir, elas encontram para se dividir e se exilar em suas opiniões formadas, enraizadas e polidas no mais puro gesso. A divisão e a busca por razão serão a causa mortis do nosso mundo.

Poucos querem ajudar, a maioria quer mesmo é ter razão. A nossa petrificação diante destas e de outras injustiças invalida cada palavra proferida por nós. Neste momento, em Governado Valadares, em Paris, na Síria ou em qualquer lugar do mundo, o que vale ouro são as ações.

Esqueçam as nações, as bandeiras, e as inúteis fotos de perfis. Levantem seus punhos, ergam os olhos e lutem pela paz e justiça, de onde estiver e quando estiver, apenas lute.
Este foi um dos sites que encontrei que dá muitos detalhes de como ajudar Minas Gerais: http://goo.gl/SVvxFN
Mas eu sei que se você procurar mais, vai encontrar outras formas de direcionar o seu pesar através de ações que sejam deveras relevantes aos que precisam de nós no agora.

Os comentários estão abertos para mais links de ajuda para qualquer causa que existir no mundo. Para todo e qualquer povo que precise de ajuda. Cada um destina seus recursos e sua indignação para quem bem entender.

E que a liberdade de escolha nunca se cale, e que o dia em que as nossas diferenças nos una esteja cada vez mais próximo!

<3
Bia

Deixe uma resposta