Os Limites do limite

Os limites do limite

 

 

 

 

Inovação.
Todo o dia eu ouço uma frase diferente com essa palavra, mas todas falando sobre o quanto o mundo segue crescendo e se desenvolvendo e evoluindo. A informação cada vez mais disseminada. A arte disponível pra todos, agora não mais apenas para visitação. O Acesso ao acesso virou moda. As possibilidades estão ficando mais abrangentes e as fronteiras e distâncias entre informações, lugares e pessoas vão sendo destruídas pelos aplicativos e meios de comunicação cada vez mais modernos e inovadores. Tudo muda em um período de tempo muito curto já que as informações chegam a todos em tempo real, e de tantas formas diferentes que acabam ficando ‘velhas’ rapidamente. Se manter no auge é difícil. Chamar a atenção de pessoas com a atenção voltada pra tanta coisa diferente ao mesmo tempo é difícil. E não estamos falando de uma geração, apenas. Mas de uma era, cheia de várias gerações que aproveitam as inovações cada uma da sua forma.
Vivemos a era da criatividade. E para a criatividade não existem limites. Ou existem?
Existem.
A exemplo, temos algumas marcas que se deram muito mal quando foram obrigadas a tirar campanhas publicitárias do ar por alguém ou algum grupo de pessoas se sentir ofendido com a abordagem da marca para com o público.
Nomes grandes e importantes já foram massacrados nas mídias sociais por abordagens infelizes ou com interpretação duplicada.
Marcas de esmaltes sugerindo machismo;
Marcas de absorvente que subestimava a dor de uma pessoa humilhada, ao ter suas fotos intimas vazadas nas redes sociais, ao comparar com um problema feminino de vazamentos durante um período menstrual;
Marca de sopa falando de mulher não saber o que quer;
Marca de panela dizendo que panela é pra mulher;
A figura da mulher na mídia, quase sempre está associada à dependência do marido, única e principal responsável por afazeres domésticos e criação dos filhos, e nem vamos falar de sexo frágil aqui, porque né?
Saindo do feminismo, tem a discriminação estética encontrada em comerciais de aparelhos de barbear que condenava homens por sua depilação (ou falta de);
Propaganda de grupos religiosos incitando ódio para com outras religiões;
A lista é quilométrica de empresas e instituições que tiveram dores de cabeça por propagandas mal planejadas.
Existe um publico moderno e informado a cerca de livre arbítrio e respeito ao próximo, e existe um publico conservador e que não simpatiza com mudanças. Ambos os públicos veem as mesmas propagandas e assistem aos mesmos programas e novelas (se é que você me entende). Existe uma reforma no comportamento de ambos os lados deste publico e do lado das empresas e instituições também.
Falamos só de propaganda, mas vai muito além. Esse tipo de situação, que acontece toda hora, ultimamente, tem feito pensar no quão exigente o mercado está se tornando.
Antes, muito se dizia sobre discriminação racial, hoje nós temos um radar de discriminação muito mais abrangente. bullying, homofobia, machismo, estereotipagem física, social, intelectual. Com tantas opções, a possibilidade do erro aumenta.
E eu, aqui, lendo jornal, imagino o malabarismo gigantesco que o profissional da publicidade e propaganda não deve estar fazendo pra gerar campanhas isentas de qualquer tipo de discriminação. Difícil! Mas absolutamente necessário.
E eu não vejo cerco afrouxando não. E não vejo só peso aos publicitários.
As pessoas estão se informando. E estão buscando mercado informado.
A luta contra a discriminação de todo o tipo é ouro. Até porque combate a falta de educação e, sobretudo a violência.
Mas, e quando essa batalha contra a discriminação, nas mãos de pessoas erradas, instiga a própria violência?
E quando os próprios limites impõem limites?
Todo mundo tem direito, mas todo mundo é proibido.
Acho esse assunto complexo, e apesar de toda a informação que temos, ainda é pouca. É um assunto novo. Certo, mas novo. Deve ser estudado no sentido pacificador e não interpretado como mais um separador de tribos e criador de guerras. Deve incentivar o respeito mútuo e não uma batalha por pontos de vista.
Eu não sei quanto tempo vai demorar, para o mundo entender e se acostumar com isso tudo. Mas uma coisa é certa: As empresas hão de se adequar e criar setores de inteligência para melhor desenvolver campanhas (a princípio), caminhando em prol de uma luta (pacífica) que vem ganhando cada vez mais seguidores: A luta pela liberdade de ser quem se é.


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