O Verdadeiro “Trabalho Duro”

O verdadeiro Trabalho duro

 

 
 
 
 

Vendo a apresentação da Selena Gomez no último American Music Awards (eu sei que esse papo é antigo mas precisei relembrar pra esta analogia), eu posso dizer que parei a vida pra assisti-la cantar The heart wants what it wants. E foi bom, foi um ótimo momento. Um momento puro, sincero e pleno. E não, eu não sou do fan clube dela. Na verdade o mais próximo que eu tinha chegado de assisti-la com afinco, foi no seriado em que ela atuava. Mas voltando à apresentação:

Não é a primeira vez que eu vejo isso: um trabalho feito com entrega.

É assim que um bom trabalho começa, é disso que um bom profissional é feito. Mas, as vezes, nós demoramos a perceber e seguimos nosso caminho fazendo coisas pelas quais não somos pessoalmente apaixonadas e por fim não entendemos como o “sucesso” não vem.

Falta amor. Falta paixão. Falta alma.

As vezes, inconscientemente, nós evitamos o tipo de atividade que nos desperta este sentimento, até mesmo pelo fato de que, produzir um trabalho com a nossa paixão, com a nossa alma, pode nos dar a sensação de desproteção. “Despimento”.

Ali você está só, se exibindo por dentro. Feito só de verdades, qualidades e defeitos, seja como for. Mas da forma mais sincera possível, sem as mascaras da perfeição do dia-a-dia. Sentindo (e demonstrando) tudo aquilo que é sentido por todos e assumido por poucos. Aberta para visitação de olhos, que as vezes julgam. Docemente, cruelmente. Mas julgam. Olhos que, na maioria das vezes, não cogitariam se despir da mesma forma. Olhos covardes.

Apesar dos riscos. Qualquer trabalho sem alma não funciona tão bem quanto poderia. Ao menor vento fino: desmorona.

Ao ver a cantora no palco, dando, não a sua interpretação para a música, mas a sua verdade, era possível ver o quanto tudo aquilo era dolorido, e o quanto havia machucado e, como resultado, o quanto era verdade. Ali ela “se compartilhava” e fazia o publico sentir exatamente o que ela sentia. Ela conseguiu.

Você sabe quando um trabalho é bem feito quando isso acontece. Você se liga à obra pela emoção que ela te transmite.

Eu não acredito que haja missão cumprida em um trabalho feito de outra forma. Eu não acredito que haja sentido em uma vida inteira de trabalho feito de outra forma que não essa. Retratando toda a nossa essência, o nosso máximo. O nosso melhor. Poder tocar as pessoas com o melhor que você tem a oferecer. E eu chamo de melhor, porque é a parte de verdade.

Eu não sei se tem como ser melhor sucedido na vida profissional do que desta forma.

Nem sempre é fácil transferir nossas emoções para outras pessoas através de um trabalho, mas quando acontece é um sentimento de realização sem descrição. Aconteceu comigo, pela primeira vez, quando eu estava na quinta série. Era um texto dramático e eu me senti grandiosamente orgulhosa por ter conseguido transmitir exatamente o que eu sentia para uma folha de papel e posteriormente, para outro coração que se emocionou quando leu.

Honestamente, eu não sei se vale a pena ter um objetivo na vida alheio a esse de compartilhar sentimentos com as pessoas. Criar conexões.

Seja com atuação, com arte, com música, com um trabalho bem feito, ou apenas carregando um sorriso nos lábios sempre que der.

Em uma espécie de making of disponível no Youtube, quando lhe perguntam se era difícil sorrir no fim da apresentação, Selena responde que sim, mas que, no dia da apresentação, seria como uma libertação. E que o objetivo era transparecer todo esse sentimento, e deixar que o público, de toda parte, sentisse o mesmo.

Trabalho duro, suado, mas extremamente compensador e libertador.
Missão cumprida Selenita! Congrats!

E você? Já tentou ser você de verdade pro mundo?


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