O Certo É O Duvidoso

o certo é o duvidoso

 

Discordar é tão bonito. Porque então as pessoas transformam em uma coisa tão feia?
Porque é preciso “chegar a um acordo”?
Não seria melhor se ele, o acordo, fosse de que somos e pensamos diferente?
Tem tanta vida por aí, tanta coisa para se ver… Não entendo a função dessa urgência de ter que ter sempre certeza de tudo, de ter que saber tudo. De tudo ter que ser ou certo ou errado… Por que sempre existem dois lados? Porque não mil lados?
Infinitos lados, infinitas formas de ver as coisas! Já pensou?
Uma de cada cor, algumas com várias cores, outras sem cor nenhuma, cada qual com o seu sabor. Nos sobraria tanto tempo para experimentar e aprender.
Se bem que, ao que me parece, as pessoas não querem aprender e experimentar. Elas só querem estar certas. Nestas e outras vemos uma sociedade cada vez mais cheia de si e vazia do resto todo; uma cegueira epidêmica, onde é mais grave não ter opinião nenhuma do que ter uma opinião intolerante à todas as outras, engessada e que, mais tarde, será cuspida como verdade por aí.
O que a gente não vê é que isso acaba com a gente, essa coisa de ter certeza.
Ter certeza não serve para a nada.
Quando se tem certeza de alguma coisa o assunto termina, não se busca, não se lê, não se recebe novidades. E que vida chata essa sem uma novidade, sem uma surpresinha no meio do caminho. Quem poderia querer ter tanta certeza assim?
Quem poderia querer andar por aí, firme, com os punhos cerrados, segurando nas mãos punhados de nada, e, vez ou outra, exibindo coisa nenhuma para outras pessoas que não estão nem aí, ou muito pior: Para pessoas que precisam de uma opinião para “vestir”.
E vamos dissipando a bobagem por aí como papagaios que falam bastante, mas sem saber do quê. Só para dizer que somos sérios e decididos; que temos certeza das coisas.
As certezas vivem tirando a graça de tudo e do mundo.

Engraçado é quando você chega atrasado no ponto de ônibus e o ouve o frear do mesmo, ao seu lado, atrasado assim como você. Deu tempo, ufa;
É estar errado quando se apalpa os bolsos a procura de algo que tem certeza que perdeu. Encontrei, ufa;

É aquela situação que você pensa: “Bem que podia dar certo dessa vez” – Já tomado pela certeza do fracasso e, voilá! Deu certo, ufa!

A certeza é chata. Legal é não ter certeza de nada, seja esse “nada” óbvio ou não. Ser o dono da verdade é o mesmo que ser o “dono da bola”, e ninguém gosta do “dono da bola”.
Não tenha certezas, tenha dúvidas, tenha mais o que fazer, tenha sorriso no rosto e a convicção de que você não precisa saber de tudo, e não sabe. Mas se não ter nenhuma certeza for mortal para você, que você tenha uma ou duas, mas que não queira enfiá-las goela a baixo de ninguém.
Acredite, as pessoas vão sobreviver sem a sua opinião! (E o facebook também (dica)!)
Se liberte, isso vai te fazer tão bem quanto se você tivesse todas as respostas do mundo (como a maioria das pessoas acha que tem).

Não, você não está certo.

Não, você não tem a receita da salvação da humanidade.

Não, a sua opinião não é importante – se ninguém a pedir.

Não, não quero saber do seu embasamento para ter essa opinião.

Faça o que fizer, poupe o mundo das certezas que, por algum motivo você mantem entalhada dentro de você, e a dobre, pique, faça dela uma coisa bonita e maleável. Flexível. Troque o “é” pelo “pode ser” ou pelo “talvez” ou pelo “sei lá”. Não permita que o nosso mundo seja reduzido, permita que ele seja realmente a imensidão que é, cheio de intenção de nos surpreender a cada esquina.

Se eu tenho certeza disso? Nem quero ter.


Bia

Deixe uma resposta