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O Agora e a Pergunta Que Não Quer Calar

o agora Fundo

 

 

FILME: The Spectacular Now (O Maravilhoso Agora – PT-BR)

 

 

O filme começa e termina com a seguinte pergunta:

Describe a challenge, hardship or misfortune you have experienced in your life. What have you learned from this and how has it prepared you for the future?

Ou seja:

Descreva um desafio, dificuldade ou infortúnio que você experimentou em sua vida. O que você aprendeu com isso e como isso te preparou para o futuro?

Eu vi esse filme algumas vezes e em todas elas eu tentava responder a essa pergunta, assim como o protagonista interpretado por Miles Teller (❤) teve que fazer. Em cada uma destas vezes eu encontrava uma resposta diferente, nunca uma resposta que me deixava satisfeita. Talvez eu não estivesse pronta para responder essa pergunta. Talvez eu ainda não esteja, talvez eu não esteja nunca.

Mas será que existe uma única resposta para essa pergunta?

“Claro que eu não tive tantas dificuldades comparado a outras pessoas”, disso eu tenho plena consciência. Não tinha muita grana, mas tinha o bastante, e se não tinha, me virava bem. Não tinha o que queria no momento em que queria, mas tudo bem também, porque nunca achei que isso fosse chave de felicidade para ninguém. Desde sempre.

Minha mãe conta que eu nunca fui daquelas crianças de ficar pedindo coisas nas lojas. Eventualmente quando pedia um não me bastava. E no fim das contas eu não consigo lembrar de nada que eu tenha tido desejo de ter e não tenha tido. Isso não pelo fato de todas as minhas vontades terem sido prontamente atendidas por que não, mas porque depois de um tempo, a gente descobre que: tudo bem.

A gente sobrevive. A gente segue, e segue bem.

A gente nasce com necessidades. Depois vamos crescendo e o mundo vai mostrando coisas que não são exatamente necessidades. Acho que nesta hora, é importante ouvir nãos, pra conseguirmos distinguir a diferença entre as necessidades reais e as coisas que são só coisas.

Os nãos me ensinaram muitas coisas, a saber o que eu realmente preciso pra viver principalmente. Ter nãos, me fez bem. Não na hora, mas depois de um bom tempo eu sei que os nãos me fizeram mais resistente, e mais seletiva com meus quereres.

Hoje eu sei o que é raro, e se não for eu não quero.

Os nãos são importantes.

Depois disso eu penso em situações tristes. Aquelas que, embora passem anos, só de pensar os olhos já ardem ao marejar. Mas quem é que não tem nenhuma?

Se os nãos me ensinaram a saber o que eu realmente mereço ter, estes momentos me ensinaram como funcionam os machucados da perda. Como funciona quando um pedaço da gente que mora em outra pessoa é arrancado. Aqui eu falo de morte. Aqui eu falo de pessoas que não amavam tanto quanto nós, ou que não puderam perdoar tanto quanto nós queríamos. Aqui eu falo de situações que tem histórias que podem ser contadas (não que devam), por cicatrizes.

E eu me lembro o quanto eu sempre me impressiono com a capacidade do nosso corpo em se regenerar depois de um machucado. A pele se reconstrói. O Coração também.

Hoje eu amo cicatrizes (logo, Miles ❤ ² ), pois vejo como se elas fossem a prova de que somos um pouco “super-heróis”. Nós nos regeneramos sempre.

Todas as cicatrizes são importantes.

Depois eu me lembrei dos fracassos e de cada uma das coisas que pareciam certas e não vingaram. A sensação de impotência, de imperfeição, principalmente quando este fracasso é fruto de um tropeço nosso. A sensação de cair em um poço muito fundo, perder a identidade, a confiança das pessoas na sua competência.

Este foi o assunto que mais ficou na minha cabeça: A fata de perfeição.

A mais óbvia. Aquela que a gente repete diariamente para nós mesmos, mas nunca se convence.

Da boca para fora a gente já conhece o mantra de cor:

“Ninguém é perfeito”.

Mas por dentro, a gente só quer saber fazer tudo certo sem ter que treinar por anos. Salvar o mundo, ser bem sucedido em tudo, bem aceito, bem quisto, admirado.

A gente acha que precisa, porque o mundo espera, a família espera, você espera. Aqui nós aprendemos a forma mais cruel de tortura: A tortura interna.

Mas na vida real: Você reprova no Tcc do curso técnico, cai da carteira no seu primeiro dia de aula, na balada, no restaurante, você sai do banheiro com a saia por dentro da meia calça, você derruba o vidro de perfume do seu amigo na sala da faculdade, você cai na mão da cabeleireira errada e seu sonhado repicado vira um pós moderno, percebe que tem alergia àquela roupa no momento da festa e começa a se coçar como se estivesse com pulgas, está sorrindo pra galera com alface no dente, fala quando todo mundo fica quieto, dá bola fora perto de gente que conheceu agora, desanda a rir no meio do velório, sem falar no seu celular que toca “Macarena” no meio da palestra super séria…

Ninguém é perfeito, mas todo mundo acha que o outro é, e que por isso, deve tentar ser também. E assim, a gente gasta um bom tempo da vida, tentando ser a perfeição que ninguém procura. Com a qual ninguém se identifica e que ninguém sabe o que é.

Os fracassos me ensinaram que correr atrás da perfeição pode me fazer ficar longe de tudo que é legal. De toda a aventura de não ter que acertar sempre. De toda a amizade verdadeira com gente tão imperfeita e estranha como eu. Buscar a “pseudo” perfeição é correr na direção oposta do que nós realmente somos.

Os fracassos são importantes.

E a resposta para a pergunta do início nunca que veio. Tudo que vivi até hoje de alguma maneira me ensinou grandes e importantes coisas para que eu conseguisse prosseguir, pelo menos até aqui.

Eu aprendi a saber o que eu quero e o que eu preciso, aprendi que todos temos os nossos dias de luta e que os fracassos são inevitáveis. Mas aprendi o gostoso sabor de se reerguer e de tentar de novo, de um jeito novo, meio longe da perfeição, desconcertado, cheio de cicatrizes que as vezes voltam a doer, mas a gente sabe que passa. Aprendi que tudo pode ser motivo de morrer e desistir, mas que também pode ser um degrau na escada. Tudo depende da forma que você quer ver as coisas. Tudo depende de onde você quer chegar.

As batalhas nunca serão fáceis, e apesar dos machucados que certamente virão, somos algo como super-heróis e para honrar o nosso poder de se regenerar temos que fazer a nossa parte e não sucumbir a nada, não fugir de nada, aceitar os erros e as imperfeições e seguir em frente, bravamente, heroicamente. Viver o que vier e em especial: o AGORA.

Boa sorte.


Bia

 

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