METAMORFOSE

Metamorfose 2

Metamorfose 2: Eu me expandi  e já não caibo mais aqui

As galáxias que antes eu tinha se multiplicaram e multifacetaram e diariamente estão sob efeito de imensas metamorfoses e agora eu, multiplicada, estou sem espaço pra ser.
Mudar é isso: não caber mais onde está.
Não servir mais. Não se achar mais.

Já teve algum dia na sua vida que você abriu seu grada-roupas e não se achou alí?
Aconteceu o mesmo comigo só que ao abrir os olhos.
Mudei.
Não to vendo mais os limites que via antes.
Não to mais definida.
To outra no mesmo lugar de antes.
To fora e desencaixada, como uma peça de um quebra cabeças na caixa de outro.

Cai em mim e me vi fora do eixo. Mas que eixo que nem ele acho mais?
Tenho coisas crescendo em mim e borbulham a todo momento. É como mil paixões acumuladas borboletando bem na boca do meu estômago. A única coisa que não me sufoca é olhar pro céu aberto, pois infinito.

Se você me vir na rua, enquanto molho a boca num destilado qualquer, eu provavelmente estarei olhando o céu aberto. Alí eu me vejo como não tenho me visto há muito tempo mantendo olhos em frente.
Os mesmos lugares mudaram de forma, e isso eu mesma provoquei.

O que houve foi que eu modifiquei algumas coisas, eu busquei o auto-conhecimento, e agora que ele está chegando eu expandi e não sirvo mais no que construí. Eu sobrei. Eu estou sobrando pra fora da tijela que antes era grande a ponto de eu me perder.
Eu estou transbordando e não para.

A mudança é encantadora, até o ponto de você descobrir que você não cabe mais na caixa em que estava até este ponto da vida, que é basicamente toda a vida que você conhece.
A mudança é encantadora e cabe no infinito.
O infinito agora é a minha ‘caixa’.
Os novos ares hão de vir de mais lugares e eu espero que num momento muito breve eu não mais precise busca-lo em céu aberto.
Eu me sinto novamente protagonizando o meu próprio parto, aquele onde eu vi o mundo pela primeira vez. Tudo completamente novo e de novo de outra forma e transformado.
Eu olho no espelho e tudo isso sou eu, expandido. O todo sou eu, o céu aberto sou eu, no parto sou eu nascendo e vendo tudo pequeno e tudo grande demais. O infinito sou eu também.

Eu não tenho mais nada, nem crenças, nem convicção, nem jeito de ser, nem morada. Sou só um emaranhado de novos horizontes e novas descobertas. O sabor de tudo me parece novo de novo.
Eu sei que renasci, só não sei quem no mundo vai continuar do meu lado na jornada deste novo eu. E o que me vem na cabeça quando penso nisso é que é aí que mora o amor, é exatamente aí que ele está. Aquela coisinha pequena-grande que, quando existe na sua melhor forma, se amplia de tal maneira a fazer das diferenças, bonitas, como um sorriso bem brotado, daqueles que fazem a gente sorrir de volta sem pestanejar.

 

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