Talento

A gente se vê onde a vista alcança

Dentre o meu ciclo de amizades, sempre tinha alguém que tinha algum talento.
E eu quero abrir uma ressalva aqui pra falar sobre uma coisa: Eu passei a vida toda imaginando que cada um nascia com um dom especial que mais dia menos dia ‘plim’ o mundo reconhecia e era fenomenal.

Hoje eu sei que o que existe é um amor pela arte, que faz você praticar uma determinada atividade com tanta frequência que você acaba virando especialista naquilo.
Não porque ‘plim’, mas por que você treinou isso incansavelmente e apaixonadamente. Você desenvolveu o seu talento.

Não tem como você saber fazer bem algo que você não aprendeu e treinou sem desanimar. Foi assim com os maiores gênios do mundo, porque seria diferente com você?
O problema é que a história dos grandes gênios, é sempre contada depois que aconteceu o sucesso. Desta forma parece que foi de uma hora pra outra, mas basta ler um pouquinho sobre os bastidores pra descobrir que foi uma luta intensa de aprendizado e treino. (Comece pesquisando sobre Mozart)

a gente se vê onde a vida alcança

Ressalva feita, voltemos a história.
Se eu parar pra lembrar com calma, sobre os amigos que andavam comigo durante os estudos, eu sei que vou encontrar pra cada um deles um talento (leia-se: coisa que mais amava fazer na vida, ou, a própria “arte”)

E é engraçado que eu não consigo associar o que cada um deles faz hoje com o talento que tinham naquela época.

Eu entendo que as pessoas mudam, e ainda bem, diga-se de passagem! Mas eu também não consigo deixar de pensar nos possíveis motivos que os levaram a mudar de rumo.
Será que foi mesmo uma mudança de rumo natural ou motivada por alguma logica maluca, destas que as responsabilidades do mundo nos impõem, do tipo: Ganhar muito dinheiro, usar terno e gravata, ter respeito alheio, não ser olhado com olhos tortos…
Trocar o talento que tinham, e que gostavam de ter, por algo que não é o que você escolheria fazer se quisesse procrastinar. Por algo que não é o que você escolheria fazer se quisesse se divertir.

O que é dito pra nós, o que o mundo nos transmite e o que a gente filtra e fica na nossa cabeça que nos faz mudar de ideia? Que nos faz não ser capaz de associar aquele talento que nos fez feliz por boa parte da vida, com algo que nos gere sustento?
É como se nos perdêssemos no caminho, seja pelo excesso de opções ou pela falta de confiança nas próprias escolhas.
– Eu faço isso bem, e gosto de fazer isso. Porque não tentar gerar uma grana com isso?
Mas o excesso de opções te fecha as portas do mesmo jeito que a falta delas. Antes, tudo era dificil e tínhamos menos opções, hoje em dia é, talvez, pelo excesso de opções que nos perdemos de nós mesmos e da nossa arte.

É muito fácil fugir da rota pretendida, pelo excesso de caminhos que nos cegam.
A gente vira a esquina provisoriamente e se perde dos talentos antigos.

A gente se ve onde a vista alcanca

Reforço: As vezes as pessoas não veem o que você vê.

– Não, é meu hobbie! Por que o dia que eu chamar de trabalho vai virar um fardo pra mim.
Olha o que foi criado na nossa mente: o trabalho precisa ser odioso e estressante pra ser um trabalho que te sustente.
Por que colocar rotina no seu robbie pode acabar com a diversão dele? Será que isso não é uma desculpa pra seguir um caminho mais fácil (que mais pra frente se tornará o mais pesaroso)?
Se você consegue se obrigar a acordar cedo pra fazer uma tarefa tediosa pra você, porque seria pior se fosse pra fazer algo que você sempre gostou de fazer?
Aqui eu abro outra ressalva pra falar sobre essa história de trabalho é uma coisa e diversão é outra: “não”!
Diferenciar o pessoal do profissional?
Quando você encontra a sua arte, você basicamente encontra o significado da sua vida. A sua significância, o seu propósito.
Como separar isso do pessoal e aplicar apenas 40 horas por semana justamente algo que faz você ser você?
Não faz sentido. A não ser que você esteja infeliz profissionalmente. Mas neste caso, você não está conectado à sua arte, por que se você estivesse, você estaria conectado com os seus valores, com a coisa que mais te motiva, com o que mais te inspira. Separar isso do pessoal  é impossível. Escolher viver sem isso, é suicídio. Eu entendo que talvez você PRECISE fazer certas coisas agora pela necessidade, mas até quando ?

a gente se ve onde a vista alcanca

Isso tudo pode soar meio “o segredo”, mas na verdade é quase que um pedido de socorro. É uma chamada pra você que está lendo, e pra mim também. É uma forma de pedir que nunca desistamos de nós mesmos. Parar um pouco a correria da vida e apenas coloca a atenção no seu coração, sente o que está acontecendo aí dentro, dá espaço pra escutar o que está querendo emergir daí de dentro, uma voz, uma ideia, um pedido de ajuda… e confia no que  aparecer, confia no que vier, não duvida!

Não, não é besteira.

Eu concluo o texto dizendo que as vezes eu olho pro céu e penso em quanto castigo está reservado pra quem não é capaz de seguir os próprios sonhos, aqueles que vem com a gente desde a infância…

Não sei a resposta pra isso, mas eu não quero pagar pra ver. E você ?

A gente se vê onde a vista não alcança !
obs 2: texto com fortes referências de Gabriel Goffi e um toque de Gustavo Tanaka pra ajudar na percepção. 😉
<3

Bia

Paulista, louca dos signos, determinada e inconformada. Tem a escrita como válvula de escape. Passou boa parte da vida idealizando uma vida e vivendo outra e, agora, tudo o que ela quer é começar a tirar os planos do papel. O blog Andei Pensando é um deles!

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