Enfrentando Jaguadartes

Fundo enfrentando jaguadartes

8 meses depois eu cancelo o meu contrato com uma agenciadora de empregos, com quase nada na conta do banco que seguraria as pontas até eu ganhar dinheiro novamente com alguma atividade, e uma porção de planos novos. Não parece nem de longe o melhor momento para cancelar uma assinatura destas, mas eu precisava. Creio que o ultimo cancelamento que me deu tanto prazer assim, foi o que eu assinei com uma escola técnica onde eu fazia o curso errado, só percebi no fim. Mas antes tarde do que nunca, dizem por aí. Eu me lembro do alívio que me deu àquele dia, por me livrar de algo que me fazia mais mal do que bem, e o misto de sentimentos que dançavam lambada dentro de mim ao me fazer pensar no que as pessoas iam pensar desta atitude. Afinal, desistir de um diploma quase ganho pode não soar tão bem aos ouvidos de alguns. E foi por pensar tanto nisso, neste “depois” e neste “o que vão dizer ou pensar” foi que eu adiei tanto a assinatura da desistência da minha matrícula, que tinha sido um erro deste o início de tudo, mas eu não sabia… Como poderia saber?
No início é muito novo para tirar conclusões, quando já temos conclusões o suficiente, estamos (na nossa opinião) adiante demais no caminho para cometer a imprudência de desistir.
Eu não sei o que faz com que nós pensemos que nunca podemos mudar de ideia, ainda mais quando já temos boa parte do caminho percorrido.
Quando finalmente sabemos o suficiente sobre o caminho escolhido, achamos que é tarde demais para voltar atrás. Isso não soa meio contraditório?

Certa vez eu vi um vídeo da Jout Jout (link no fim do post) onde ela dizia que até parece que nós tomamos nossas decisões achando que temos 97 anos. E ela completa:
– Com vinte e poucos anos dá para mudar de ideia horrores, com trinte e poucos também, quarenta e poucos também, mas principalmente vinte e poucos…
Independentemente da idade, mudar de ideia é possível e não vai tirar o mundo da órbita não, do jeito que a gente pensa. Eu não sei vocês, mas em 80% das vezes que eu tomo decisões razoáveis (aquelas que os nossos pais/avós/tios tradicionalistas querem que a gente tome), eu estou pensando nos outros, e não em mim. E vê só se isso não é um absurdo!
Interessante olhar para trás e ver a quantidade de coisas que eu fiz porque buscava status, grana, orgulhar os olhos de terceiros ou ser igual a outras pessoas que pareciam felizes.
O lado positivo é que estes 80% já foram 100% um dia.

Hoje eu tenho bem menos achismos do que antes, e as certezas quase não existem, não fosse por algumas poucas sobre algumas coisas que eu não quero ser definitivamente, dentre elas: infeliz.
Hoje, eu considero que ser infeliz é a coisa mais fácil deste mundo; mas, felizmente, depende muito de nós mesmos.

Esse negócio de saber o que quer é muito relativo. O tempo passa, o vento sopra, as coisas mudam. Nada é imutável, quanto mais nós, seres em desenvolvimento constante (a maioria). Mudamos muito e o tempo todo, ainda bem.
É importante saber quais monstros nós estamos dispostos a enfrentar, pois eles virão e não vão amenizar para o nosso lado. E é muito bom que valha a pena ter enfrentado cada um deles, no fim das contas.

Uma vez eu ouvi que a decisão mais difícil, aquela que mete mais medo, é sempre a correta. E durante 27 anos, eu entendi essa frase errado. Eu achava que esse medo, era o de dizer “sim”.
Aceitar tudo; Ir fundo e em frente; Dizer sim para qualquer proposta e, por assim dizer, desafio que aparecer. Eu achava que isso era ter coragem, força e determinação.
Não é fácil dizer sim, resolver ir na missão, ainda que ela te desvie do caminho que está trilhando e talvez gostando de trilhar. Dizer sim, é difícil, leva tempo, energia e muita dedicação.

Mas definitivamente, dizer “não”, é a coisa mais amedrontadora do mundo. Ainda mais quando a proposta vem fantasiada de coisa certa no momento certo.
Como eu disse, eu não tenho certeza de quase nada, mas eu sei que não quero ser infeliz. Cada um sabe bem quais as próprias prioridades, cada um sabe bem o que pode trazer mais felicidade para a própria vida.

Eu não quero ser hipócrita aqui e dizer que eu não preciso de dinheiro, as coisas não são nada por aí. Mas eu confesso já ter visto gente demais (na minha família e fora dela) enlouquecer por causa do dinheiro e esquecer a importância de todo o resto, eu não quero ser mais uma destas. Eu quero lembrar do que é felicidade sem precisar ver cifrões, eu escolho lembrar.

Seria muito difícil dizer “sim” para qualquer proposta de emprego que apareça em qualquer área que fosse, mas que pagasse as minhas contas, e que, talvez me aliviasse o stress do dia 30 de cada mês – quando tudo vence. Seria especialmente difícil dizer este “sim” em momentos como agora, onde eu teria que interromper as ideias que estão nascendo, e que me fazem um bem danando só de pensar que eu poderia realiza-las. Mas, dizer “não” para a estabilidade financeira e ter que convencer todo o resto da sua família e amigos de que você não está maluca por seguir fazendo o que te faz bem, tentar fazê-los acreditar que você é capaz e por fim, mostrar que você acredita na própria capacidade de vencer, seguindo os seus sonhos, é muito mais difícil, é aterrorizador. É o monstro mais feio que você vai ver. Dizer “não” para o óbvio e buscar o que só você vê, se convencer de que você é o que você acha que é, e que existe um espaço muito bonito no mundo para as suas ideias malucas que um dia, quem sabe, vão fazer sentido para todas as pessoas que querem o seu bem.

Dizer “não” e permanecer firme em um caminho que ainda só existe para você é infinitamente mais difícil do que dizer “sim” ao que aparecer e orgulhar os olhos alheios. Significa ter fé em você, em uma força superior e na vida de que tudo vai dar certo, é ter coragem de apostar todas as fichas em si mesmo, força para lutar (sozinho, as vezes) e determinação para não desistir de acreditar. Torcendo dia após dia para estar certo, para que você não precise mais convencer ninguém. Nem a si mesmo.

Força!

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Vídeo de Jout Jout, mencionado acima:

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