Crescer e amadurecer

 

“Estar sem rumo” não precisa significar “estar perdido”.

Precisar não precisa, mas olha…

– O que você quer ser quando crescer, pituca?

– Quero ser salsicha, eu respondia.

Eu nem tinha ideia do que isso significava, mas fazia os meus avós rirem e então eu sempre respondia a mesma coisa. Era bom de ver os botões da camisa do meu avô se sacudirem enquanto ele dava gostosas gargalhadas, sempre da mesma coisa. Depois ele bagunçava os meus cabelos ralos e seguia arrastando as sandálias pelo quintal.

Eu tenho certeza de que isso era mesmo só uma piada. Meus avós sempre foram enfáticos com relação a trabalho: Absolutamente necessário. E quanto mais duro, melhor.

Meu avô sempre vivia com mãos calejadas.

Se ele ainda estivesse por aqui, jamais permitiria que eu fosse uma salsicha.

E eu provavelmente, deitaria ao lado dele e o questionaria sobre como não ser uma salsicha. Como escolher um trabalho duro, rotineiro, que me permita assoviar aos pássaros e caminhar com um sorriso no rosto durante todo o dia…

Eu provavelmente o encheria de perguntas. Mas não sei se ele teria as respostas que preciso. Talvez ele apenas sacudisse os ombros em ruidosas gargalhadas e bagunçaria o meu cabelos:

– Quantas perguntas, pituca. Quantas perguntas.

Eu gosto daqueles filmes que não resolvem os problemas no final, e não gosto ao mesmo tempo.

Em geral, a realidade é assim. A gente pensa, analisa, e chega a conclusão de que nunca vai ter todas as respostas de que precisa. Pelo menos não na hora do rush. Mas tem coisa que a gente tem que aprender sozinho, e aprender sozinho é a coisa mais filha da puta que existe. Faz a gente se passar por ridículo, ficar perdido, descrente, quase desistir, levantar com a fé renovada, fazer planos, que serão equivocados em 99%, e no fim, talvez a gente faça alguma coisa certa. Alguma coisa que nos faça sentir orgulho de nós mesmos. E talvez não.

Mas de uma forma ou de outra você conseguirá um motivo pra rir de si mesmo. E alguém um dia me disse que isso é adquirir maturidade.

E a única certeza que eu consigo ter hoje é que esta porção de tentativas de fazer as coisas darem certo, já fazem de alguém mais do que uma simples ‘salsicha’ e, se por algum descuido alguma coisa no final dê certo, então será um bônus.


Bia (121)
Sinto Muito

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