Correr Riscos

Fundo correr riscos

Essa é uma escolha diária que temos que fazer mentalmente. É uma daquelas coisas que a gente deseja ter uma companhia pra ajudar na tomada de decisão, a gente deseja ter tempo pra pensar, a gente deseja que as respostas simplesmente caiam na nossa mão ou se manifestem na nossa frente com bombas ninja.

Admita. Quantas vezes você já pediu pros céus te mandarem um sinal de qual seria o caminho certo a escolher?

Mas ele nunca manda. E ai, na maioria das vezes, a gente escolhe esperar mais até sentir mais segurança, ou deixa pra lá pra aquele frio na barriga horroroso parar de incomodar. E volta a fazer as mesmas coisas, volta pro caminho de sempre. Acreditando que, lá no fundo, a sua hora vai chegar.

E vai mesmo, porque o universo é um fanfarrão e, apesar de nos assistir desistir de oportunidades (pequenas e grandes) diariamente, ele adora oferecer novas chances. E se não fosse assim, qual a utilidade de estarmos aqui?

Eu acho certo pensar que a mesma oportunidade não aparece duas vezes. Pelo menos não da mesma forma. Mas as vezes eu me pergunto, se nessa espera rotineira por um sinal dos Deuses de que “esse é o bonde que eu devo pegar pra dar tudo certo no fim”, eu não acabei dispensando outras tantas chances, que poderiam ser certas, se eu as enxergasse com outros olhos.

Eu penso muito nisso.

Existe uma interpretação de leitura de Iching que diz que enquanto tivermos a atenção voltada para uma única árvore, nunca conseguiremos ver a floresta.

E será que não é isso mesmo? Será que cada um de nós não tem idealizado um futuro perfeito dentro da cabeça e fica sentando no nosso banco do comodismo esperando que aquela ideia se concretize. Assim, exatamente como na nossa cabeça?! E que se for diferente, aí então não é a nossa chance. Deixa passar. Fica pra próxima.

Minha hora vai chegar.

Mas e se já chegou? Disfarçada de coisa difícil e complicada? Ou vestida de outra forma que a gente nunca idealizou? E se já passou mais de um vez?

É complicado, pois nós só temos a idealização de parte da nossa história. Você pensa: Eu quero ser escritor e, do nada, te aparece um estágio em um escritório.

E você pensa: – Hmm, nada a ver! – e descarta.

Mas e se você encontrasse um dos clientes deste mesmo escritório que, conhece alguém que conhece alguém, que conhece alguém dentro de uma editora?

Você nunca vai saber.

O que eu percebi é que o destino não dá nada pronto. Ele não dá caminhos finais. Ele dá uma etapa por vez. Mas nós, que não vemos um palmo além do nosso nariz, achamos que é a porta errada.

As chances que o destino dá, na maioria das vezes não são para o topo de tudo, mas para o próximo degrau. Ele, não te dá um mapa com grandes instruções de como e onde você deve ir pra chegar onde quer, mas, as vezes você consegue perceber uma piscadela. Se você interpretou certo, ótimo. Se não, deixa pra próxima.

E lá vai você se perguntar porque as coisas nunca acontecem como nós esperamos. Quando o defeito está mesmo nessa espera. Ficar a espreita de finais felizes, quando a história está só no começo, e a graça toda está no percurso.

Um passo de cada vez. Quantas vezes você já ouviu isso? E mesmo assim, continuamos cegos. Acuados atrás das nossas falsas muralhas de comodismo (que alguns chamam de segurança), esperando o nosso “bonde certo” passar.

Eu realmente não acho que devemos aceitar tudo que aparece. Mas por quê tantos nãos ditos por quem não acredita estar no caminho certo para ser feliz?

Nós queremos tudo tão claro e palpável. Nós queremos tudo de uma vez. Mas os passos são necessários, um de cada vez. E saber aceitar e aproveitar cada um deles, também.

O fim pode realmente ser o que você acha que vai te fazer feliz, ou o que alguém que te conhece muito mais, sabe que vai te fazer feliz. Mas talvez falte um passo aqui pra aprender a ser menos impulsivo, outro ali pra conhecer o amor da sua vida, algum acolá para visitar um lugar bonito que nunca esteve nos nossos planos. E ao longo da rota, nem sempre podemos ver o fim e o medo tende a atrapalhar mais ainda a nossa visão, mas mesmo assim, o “Sim” deve ser dito.

Em um discurso para formandos, Jim Carey disse algo como:

“Para mim, tudo se resume em deixar que o universo saiba o que você quer e que trabalhe para aquele fim, sem se importar com a maneira como venha acontecer. O seu trabalho não é compreender como tal coisa acontecerá para você, e sim abrir a porta em sua cabeça e, quando a porta se abrir na vida real, apenas passe por ela.”

E é isso. Não tem como saber qual a oportunidade que vai te levar exatamente para onde você quer, mas mesmo assim, os olhos devem sempre se manter adiante. Temos que nos acostumar a não poder ver tudo, e aprender a dizer “sim”, mesmo não vendo todo o caminho. Aprender a ter a audácia de dar o próximo passo, e o próximo, e o próximo. Correr riscos, ainda que, agora, não faça muito sentido.

O “sim” deve ser dito pra que as novas situações possam vir, pra que os novos degraus possam surgir, pra que novos caminhos possam se abrir. Pra que venha o novo.

Pra que venha!

Bia

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