Começos, Meios e Finais.

começos meios e finais

 

 

A vida não me parece feita de começo, meio e fim, como já ouvi dizerem por aí. Pra mim, ela é feita de vários começos e incontáveis finais. Se felizes ou tristes, vai lá saber. A verdade é que nada me parece muito certeiro, com começo meio e fim.

Me lembro bem das broncas das professoras de português sobre as minhas redações: Começo, meio e fim. Introdução, desenvolvimento, conclusão. Não é nada fácil pautar uma redação desta forma, que dirá a vida.

Quisera eu que tudo tivesse o meio antes do fim. Um meio longo e significativo, um meio que mereça ser recordado, que desenvolva a lógica de todo um contexto para que depois o desfecho termine dando sentido a tudo. Na vida, o que acontece é que o fim é a primeira coisa da qual nós tomamos conta, geralmente. Depois procuramos um começo e daí por diante vamos atrás de uma lógica, o meio, aquele que deveria ligar os pontos e explicar os porquês. Acontece que os meios nem sempre estão ali. Nem sempre tem um porque, uma razão, um meio, uma justificativa. E, antes que se termine a avaliação do que findou sem mais nem menos, vem a vida e te joga um início todo emaranhado nos braços, novinho em folha, que vai terminar um dia, muito provavelmente com menos lógica do que gostaríamos, de novo.

É isso. A vida é uma série tempestuosa de inícios e finais. Ocasionalmente com um “meio” ou outro no intervalo entre os eventos. Ocasionalmente, eu disse.
Mas neste momento, eu quero falar apenas dos começos, dos inícios que a vida joga pra gente que nem batata quente.
Os inícios sempre são perrengues. Salvos, é claro, os inícios de relacionamento que são só doçura e melado.

Eu me encontro em um início, e é muito bom estar em um início, e, ao mesmo tempo, é um pesadelo. No início, todos os caminhos são opções, e é muito difícil iniciar uma escolha e seguir ignorando o resto dos caminhos todos. Mas você precisa escolher.
Eu li em algum lugar que não escolher um caminho faz com que você continue tendo todos. Eu não vejo vantagem em não escolher. Acho que se você não opta por uma trilha, existe a ilusão de ter tudo, mas na verdade não se tem nada. É como estar diante de um cardápio no restaurante, sem escolher, você continua com fome.
E o mais conflitante dos inícios é que o raciocínio lógico não te ajuda em nada. É tudo novo, você não tem mapas exatos, você não conhece nenhuma das estradas, a escolha deve ser feita às cegas. Ou melhor, me ocorreu aqui que quando a lógica é inútil, a escolha deve ser feita utilizando o oposto da lógica, que, ao meu ver, é o coração. É isso. Os caminhos não podem jamais serem escolhidos com assertividade resultante de uma regra de 3, não para a vida que não utiliza a lógica de uma redação. O melhor a fazer é escolher o caminho que te deixa mais feliz e empolgado, que faz o seu coração bater mais rápido. Talvez seja o caminho errado, no fim das contas, mas certamente, quando o fim vier, os arrependimentos, se houverem, serão estupidamente menores. Se é que me entende.


Bia

Deixe uma resposta