Chuva de Arroz

chuva de arroz

 

Tenho percebido que, hoje em dia, os convites para festas de formatura estão ficando cada vez mais raros e, os de casamento cada vez mais frequentes.
– Está na hora! – Dizem.
Está mesmo?

Adendo rápido: Vamos colocar as religiões à parte para falar sobre isso, ok? Obrigada.

Eu não sou contra casar, muito pelo contrário. O que me motivou a escrever este texto foram alguns fatos isolados de pessoas que consideram o casamento como meta de vida (muitas vezes – a única e/ou mais importante de todas). Eu andei vendo casamentos que acontecem mais pelo evento em si do que pelo amor, mais por imagem do que por sentimento, mais pelo estado civil do que pelo desejo de compartilhar tudo.

O casamento pode ser um sonho de um casal que se ama ou pode ser um ritual para demonstrar o amor de ambos. Salvo estes dois motivos, eu não vejo razão para que aconteça. Seja aos 20, 30 ou aos 90.

Tem bastante gente que pode ficar boquiaberto com o que eu vou revelar agora, mas: sabia que mesmo que um casal não esteja formalmente “casado” não significa que eles se amem menos?
Juro para você!
Casamento não tem hora certa para acontecer. Não está nos “termos de uso da vida” que  – Todo ser humano deve se casar aos 35

Aliás, o casamento pode nem vir!

É neste ponto que muita gente leva a mão na boca em sinal de espanto, e muitos aspirantes a noivos e noivas de gravata borboleta e véu e grinalda reviram os olhos.
Verdade seja dita: Quem se casa não é mais feliz. Quem namora não é mais feliz. Quem está solteiro não é mais feliz.
Estado civil, não tem nada a ver com felicidade. Amor não tem nada a ver com estado civil.
Não teria. Não tem. Tem um pouco a ver com escolhas e muito a ver com tempo. Não com tempo certo ou errado, mas com o tempo que as coisas levam pra acontecer e serem notadas.
– O tamanho da cauda da noiva não é o que vai protege-la de traição. O que poderá protege-la disso é ter feito a escolha certa, baseada em sentimentos e não no – já está na hora de casar.
– O sorriso do noivo ao receber a noiva no altar não fala sobre quanto amor existe ali, por outro lado, podemos medir o amor ao contar o número de vezes um leva o outro no restaurante para comer sushi, mesmo odiando comida japonesa, por exemplo.
– Não é a chuva de arroz que indica quantos anos virão de felicidade, o que mostra isso é o tamanho da paciência que um terá com o outro assim que os defeitos vierem à tona.
– Ter ou não ter bem-casado na festa, não vai garantir o “felizes para sempre”. Tá certo que é uma delícia, mas como apostar a felicidade de uma vida inteira num pedaço de pão de ló? Pelo amor de Deus, gente!

No fim das contas, sonhos a parte, o que nós temos que querer pra nossa vida é amor, e não o casamento perfeito a qualquer custo, por um capricho individual ou por “estar na hora”.
Que passem os anos, que passe a vida, que passem os amores de verão. Que passem. E que fique o  melhor.

Namore se quiser, comprometa-se se quiser, more junto se quiser, case-se se quiser. Mas não faça nada disso sem que o pretexto seja o amor, em resumo, a vontade de estar do lado daquela pessoa e de todos aqueles defeitos, confiando e respeitando.
A parte mais importante da organização de um casamento não é garantir o melhor bufê, mas o melhor par. Aguentar comida ruim por um dia é muito fácil. Quero ver passar anos engolindo sapo ao lado da pessoa errada, só por que estava na hora de casar.
Não procure um casamento, procure um amor pra perder o ar. Aliás, não procure nada. Espere, que seja quando for, um dia, que,provavelmente, vai ser bem longe da “hora certa” de que todos falam, o seu ar, o seu rumo, e os seus sentidos serão perdidos por causa de alguém. E você vai adorar tanto isso que nem se importará de estar no lugar errado, com o bufê errado, e vai se importar muito pouco em por alho no buquê pra espantar maus espíritos, e que se dane o objeto azul ! Vai mandar as favas toda a chuva de arroz. E talvez não se importe de mandar as favas também, o casamento perfeito idealizado por anos. Por que você vai querer ficar junto, ali e naquele momento errado, seja como for, do jeito que for, desde que seja com a parte mais importante deste sonho todo, que você encontrou na hora errada, mas que veio no tempo certo.

E você vai perceber que nenhum vestido perfeito, numa noite perfeita, com uma organização impecável, vai superar o bem que faz um “felizes para sempre – ou enquanto dure” de verdade, com tanto amor e cumplicidade que até dói, assim,  sem papagaiada, sem chuva de arroz nem nada, só com amor. E já será mais do que suficiente.


Bia

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