Arte e feijão

Arte e Feijão

Por estes dias, um amigo e eu estávamos falando sobre arte e feijão.
E você lendo pode até pensar que não, mas tem tudo a ver. Ele disse que a vó dele fazia um feijão que era o maior sucesso e que ele nunca tinha repetido a sensação de comer um feijão como aquele depois de perder a avó. O feijão dela era arte. 

Nos falamos sobre este feijão que era sucesso e sobre artistas. 

Sobre a poesia ácida que é ter a personalidade artista. Sobre enlouquecer, ou quase, tentando passar a imagem perfeita do que só ele vê do mundo. Raramente o mundo enxerga o artista e o jeito que ele vê o resto do universo. Mesmo assim, do jeito que pode, o artista se joga, se arrasta e esculpe do lado de fora do próprio corpo algo que mostre pras pessoas o mundo aos olhos dele. 

      – Artista respira aquela coisa ácida, sabe?! – Ele disse.

Querendo falar de intensidade, fúria, dor e drama, imagino eu.
O artista é capaz de prejudicar a própria vida em busca da paz, que muitas vezes só pode ser conquistada deixando a fera sair do peito, como dizia Bukowski, mas com outras palavras – mais bonitas, claro – .

O velho Buk é a figura mais escrachada como artista que eu já conheci atraves dos livros e ele nunca se achou como tal. Ele bebia, fumava e dava um jeito de cospir todas aquelas palavras pra amenizar o que tinha dentro. Meras palavras pra alguns, socos no estômago pra outros.
Acho que artista é isso, uma luta diária, cavando peito e entranha até conseguir deixar sair um pedaço da alma que traduza com o mínimo de decência a forma doida que vê o mundo.

Deixar sair, seja no papel, na tela, na dança, na interpretação ou no feijão.



Bia

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