Aquele Momento

Fundo

Enquanto eu caminho, meus olhos e corpo cruzam-se com estranhos tão iguais a mim, que as almas, uniformizadas, se reconhecem mesmo sem trocar frases, mesmo sem trocar sorrisos.
Somos semelhantes e compartilhamos pedaços de igualdade.

Igualdade não foi nem de longe o que eu fui buscar naquele dia, mas sem dúvida foi o que eu mais encontrei. Parecer com alguém nunca foi tão bom, isso vindo de mim, pessoa que nunca gostou de ser a power ranger rosa, que era sempre o Luigi no Nintendo, que sempre escolhia com orgulho o personagem menos disputado para qualquer que fosse a brincadeira. Nunca entendendo porque, mas sempre indo por caminhos opostos das multidões.

Os iguais tinham almas diferentes mas com brilhos particularmente iguais. Compartilhavam muito mais do que poderiam ter feito em alguns longos e cansativos laços de convivência de anos… Compartilhavam um momento. O momento.

Ninguém contra ninguém, o mundo a favor de todos. Ía acontecer!

Grande parte do público ali presente esperou tempo demais por isso, cansou, descansou a fé, tentou e cansou de novo. Rotinas ininterruptas de tentativas e fracassos. Só quem não desiste de primeira sabe qual é o gosto da conquista. E é doce.

Os uniformes eram do último show da noite, a ansiedade não cabia em nenhum de nós e a gente sabia disso só de se olhar, só de se ver. Ninguém conhecia ninguém, mas horas mais tarde, as mãos se uniram no ar e o coro, uníssono, soava forte e feroz, como se estivesse guardado a horas, dias, anos.

O hino soa alto, os olhos se fecham por fragmentos de segundos como se a intensão fosse guardar o momento na alma. Sentimos muito, sentimos tanto e  sentimos o mesmo. Tão grande e tão perto que assusta, anestesia e atordoa, mas é bom.

Depois, sem beliscão nem nada, você sabe que esteve lá. Você esteve com todos aqueles iguais, cada um ouvindo de um jeito, cada um dançando de um jeito, mas todos tão absurdamente iguais, todos tão incrivelmente iguais, que o mundo vira um e você entende o quão importante é ser um semelhante. O quanto é bom ser uma multidão em coro único. O quanto de força é gerada para o universo, e depois de volta para nós, ali: de olhos fechados, quando isso acontece.

Você é um, mas tem a força de todo mundo e tem a fúria de todo mundo e tem a paz de todo mundo e você está lá. Sem dúvidas você está lá.

Engraçado como tentamos o tempo todo ser diferentes, fugindo de tudo o que realmente somos: iguais. Engraçado como tentamos fingir singularidades, quando na realidade todos nós queremos o mesmo amor e a mesma paz. Engraçado como a gente tenta sempre correr atrás das nossas coisas na frente de todo mundo, quando o mais precioso vem apenas do ‘nós’.

Mãos apontadas pro céu, coro gritado do fundo do peito, e neste momento todos formamos uma única cor, linda e inesquecível.

Inesquecível!

Rock in Rio 2015 – Eu Fui! (perdão pelo clichê)

Só Gratidão, universo! Por ter conspirado a favor. Só gratidão!

🎶❤🎶


Bia

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