Aprender A Se Despedir

Só se conhece bem através da leitura. Algumas pessoas sabem nos explicar muito melhor do que nós mesmos. Assim são as leituras, assim pretendo ser.
Seria uma honra se um dia, por descuido ou sorte, alguma definição minha sobre alguma coisa caísse como uma luva para alguém que não sabe explicar, mas sente.
Eu gostaria de poder explicar, e é isso que eu tento fazer há muito tempo, desde sempre com todas estas palavras espalhadas por aí.
Mas ainda bem que é possível se conhecer bem através da leitura, e ainda bem que as pessoas se permitem escrever. Mais do que sem escrever eu estou certa de que jamais sobreviveria sem me alimentar das poesias que moram em outros corpos, corpos estes que permitem que suas poesias saiam, as dividindo com o mundo.
Hoje eu entendi mais uma parte de mim e o maior objetivo desta postagem é agradecer por ter a honra de ter sido envolvida por palavras alheias, tão bem colocadas, diga-se de passagem.
Termino a leitura de uma postagem de um blog que acompanho a muito tempo, sobre um relato de uma perda importante. Impossível não chegar muito próximo de quem escreve com textos com tal profundidade.
Sofri a cada parágrafo com a injustiça de quem acha que sabe o que o outro sente. Mas não sabe.
Ao fim da postagem, minha sensibilidade era tanta que eu mal tive coragem de apertar o play da música que foi linkada ao texto como complemento a todas aquelas frases despidas do corpo de alguém, ferido demais. Sendo encarada por toda a tristeza e perplexidade presente naquela página.

Inerte frente ao botão de play eu começo a pensar…

Como se diz para uma menina de 6 anos que o seu melhor amigo morreu?
Não tem jeito fácil.

Desde muito cedo eu fui familiarizada com as partidas. Às vezes é possível enxergar o lado bom de cada uma delas, outras vezes o lado bom nunca aparece. É preciso lidar mesmo assim.
Existem despedidas menos doloridas, mas igualmente ruins de se aceitar que são a daquelas pessoas que decidem ir embora. Passei por todos os tipos delas desde sempre.
Gente que teve que ficar longe. Gente que escolheu ir. Nunca foi fácil.
Eu sei que se eu procurar direito, encontro um ou mais textos para cada uma das despedidas pelas quais tive que passar.
É difícil entender quem vai, é difícil saber o que acontece com quem fica.

A princípio eu achava que morava em mim um conformismo, daqueles que eu sempre repudiei em qualquer situação. A princípio eu me entendi como egoísta e dramática, eu sofria dias até aceitar e entender a cada adeus que tinha que proferir. Talvez eu não queira me isentar de nenhuma destas qualificações, mas hoje eu consigo explicar melhor o porque todas as vezes que precisei entender a distância o fardo era pesado e doloroso. Cada vez eu estava melhor em disfarçar. E nas poucas vezes em que a partida era minha o meu sofrimento era duplo. Nunca consegui me distanciar com facilidade e consciência limpa e sempre achei necessário aprender este tipo de coisa.

A aceitação é o primeiro passo, cá estamos.

Eu não sei ir embora. Eu não me sinto bem em pensar no tempo em que eu perderia estando longe de todos os corações que conquistei com sinceridade por aqui. Todo o resto parece sempre ser tão menos importante e tão volátil. Percebo isso principalmente quando alguma relação decepciona as minhas expectativas, devolvendo a confiança que eu entreguei toda despedaçada.
– As pessoas certas vão ser sempre as mesmas – penso. Vale a pena deixa-las de lado e partir numa busca por algo que já nos provou algumas vezes que estamos errados.

E o egoísmo mostra a sua face novamente. Conviver é preciso e senão, a nossa única missão aqui – a troca. Seria impossível trocar muita coisa estando sempre no mesmo lugar e com as mesmas pessoas.
É preciso partir. Eu não sei partir.
É preciso aprender a estar perto sem estar fisicamente perto.

“Deixar ir embora é uma dor muito conhecida para mim. Talvez seja por isso – conhecer bem a intensidade do tapa desta antiga inimiga – que eu evito a tanto tempo a hora certa de partir”.

Aperto o play.

Link da inspiração deste post Aqui 

2 comentários em “Aprender A Se Despedir

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