Antes só do que bem acompanhado

antes só do que bem acompanhado

 

 

 

Eu não sei como demorei tanto pra escrever sobre isso.
Acho que é porque demorei pra entender também…
Não é fácil pensar fora da própria cabeça. Tomar os sentimentos do outro por alguns minutos e tentar entender o porquê. Por que de ir embora. Por que de não perdoar. Por que do seguir sem querer ter perto.
Muitas vezes eu generalizei. Chamei todas as situações acima de abandono.
Mas nem sempre é assim.
Já ouvi que paixão é feita pra acabar. Amizade também.
A mesma pessoa que disse isso, disse que é da destruição que as coisas têm a chance de renascer e ficar eternas. E que se há destruição e não há renascimento, não há eternidade. E que se não há destruição, algo também está errado, já que a perfeição é uma máscara.
Sentada na cama eu parei pra pensar na quantidade de vezes que uma amizade passou por uma crise e não renasceu, e pensando na quantidade destas vezes que eu ficava de choramingos, me perguntando por que tal pessoa não me cumprimentava mais, não me chamava pra conversar, não respondia meus chamados como antes…
Veja só, logo eu que sempre gostei tanto de doses entorpecedoras de verdade, querendo ilusão, inconscientemente, enquanto a vida me afogava com verdades.
O caso é que, algumas vezes, é bom lembrar. Tão bom que a gente insiste em querer reviver. Mas não existe, não tem.
E demora pra entrar na cabeça que nada mais vai ser como antes, demora pra entender como uma parceria tão próxima vira estranheza assim, de um dia pro outro. Demora e é cruel.
O alívio vem quando você entende: sempre tem alguém que espera demais. Um lado que espera demais. E o outro que não se importa. Quem está certo? Ninguém. Ou os dois lados, veja como quiser, mas ninguém tem culpa de gostar demais ou de menos, se assim for, o fato é que não há de existir bons frutos de uma relação unilateral. A própria palavra “unilateral” já nos trás sentido de solidão. E Estar numa relação de solidão é um erro sem tamanho. Melhor só, mesmo o “acompanhado” não sendo de todo ruim, ainda assim, só, imagine quantos milhões de chances que surgiriam de encontrar alguém, nem melhor e nem pior, mas que se importe.
Que se importe de ligar depois da crise, que se importe em reconsiderar os diálogos caso perceba que o outro lado não veio atrás, e talvez cogite ter também culpa pelo fim. Alguém que desvie os olhos do próprio umbigo, que comprimente, que ria do seu ciúmes, que não cobre que você seja diferente, melhor, que não queira te moldar.
Alguém que depois da crise, ainda acredite que vale a pena. Renascer.
Alguém que, em reciprocidade a tudo, tenha o desejo de eternizar.
Em muitas dessas, eu vi amigos se tornarem estranhos. Em muitas dessas, fui eu quem “saí a francesa”.
Hoje eu sei que doer, vai sempre. Mas é importante saber que quem tem que estar do seu lado hoje, lá está. E que algumas pessoas a gente tem que aprender a carregar apenas no coração.


Bia

Um comentário em “

Antes só do que bem acompanhado

Deixe uma resposta