Amores

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Mal nenhum dura para sempre, já dizia nossa vó;
Felicidade também não vinga por muito tempo sem ter uma dorzinha no meio;
E assim, falando de coisas que não duram para sempre, podemos continuar até não poder, comida, água, pão, vida…

E tanta coisa mais que me cansam as mãos só de pensar em escrever…

– Mas o que podemos dizer do amor, vó? Já teve amor que nunca mais acabou?
Ela não me respondeu, mas eu sei a resposta.

Estar vivo implica em ser invadido por sentimentos enxeridos dentro do peito, que na maioria das vezes, não existem palavras capazes de explicar.
Todo mundo tem uma lembrança que faça um sorriso brotar por dentro e refletir por fora, isso porque a lembrança boa fica. Entalhada.
Mas o amor é diferente. Ele é aquele que chega e fora de hora e vai quando menos se espera. Que não tem razão de ser, e nem nunca vai ter, nem adianta gastar tempo procurando justiça de ser, razão de findar. Não tem.
São aquelas coisas que vão só acontecendo, mil coisas de uma vez ou uma coisinha só, que até antes disso só se via em filme e na TV, mas que, quando aconteceu, colocou a vida real em segundo plano e fez você, sempre tão cético, adormecer numa espécie de conto de fadas. Um daqueles por onde todo mundo já passou, por algum tempo determinado, e que fez tudo parecer dar certo ao menos uma vez.

“Fez”! Não “faz”!
Porque é assim: acaba. Não o amor, mas o prazo de validade da magia da coisa.
Porque, sabe –se lá quem inventou isso de eternizar momentos dentro de nós, tinha como objetivo fazer com que tivéssemos um motivo para acreditar que ela, a magia, ainda existe em algum lugar. E desta forma, nós não desistamos de procurar. Infinitamente, ou até quando a nossa eternidade durar.
Amadurecer, significa entender que algumas coisas, embora tenham parecido perfeitas, foram e não são mais. E, mais do que isso, não duvidar das razões do fim ter se dado. E, me atrevo a dizer, ainda mais: carregar no peito eternamente o peso de uma felicidade tão boa de ser, que não podia ser para sempre. Uma situação assim, que significasse a felicidade do mundo inteiro em um só lugar, seria demais pra aguentar por uma vida inteira.
Mas e quando o fim vem? Como ter motivos para seguir depois que se morre sem morrer? Como prosseguir com a vida?

A resposta é simples: Prosseguindo.
Eu sinto em te dizer que essa coisinha que brilha de vez em quando no peito, vai ficar aí para todo o seu sempre. Tem que ser assim, faz parte e fim.
Alguma coisa sempre fica quando algo de muito bom passa, é assim pra todo mundo, é assim pra todo tipo de coisa. Todos sabem o quanto é difícil matar o que vive, mas fazer o que é necessário nem sempre é fácil.
Desiludido ou não. Arrependido ou não. Mas melhor e mais forte do que antes, o que ficou pra trás, ficou. E o inegável da vida é que é pra frente que se anda.
Experiência (pouca, mas) própria: você vai sobreviver.

Feliz dia!

Bia

 

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