a tranquilidade não é um lugar

A tranquilidade não é um lugar

(Talvez você queira harmonizar a leitura com Coldplay. )

Há uma coisa que precisa ser dita,
Alguns sentem águas calmas outros sentem tsunami,
E o motivo pode ser pequeno, imenso ou nenhum.

Você não sabe o que é ter uma mente tranquila até não ter mais.

E, quando você perde a tranquilidade, à primeira vista a tendência é procurar os motivos do tsunami em volta, culpar pessoas, lugares, ausências, excessos, e pontas soltas, um amor que veio em hora errada, um que partiu para nunca mais, um que não quis ser amor de volta, um som, uma batida, um toque, uma lembrança…

Não.

Até Manuel Bandeira pôr na poesia e depois Gil na canção, que diante da confusão ir embora seria uma boa, e, na última estrofe ele disse:

 

“E quando eu estiver mais triste

                Mas triste de não ter jeito

                Quando de noite me der

                Vontade de me matar

                — Lá sou amigo do rei —

                Terei a mulher que eu quero

                Na cama que escolherei

                Vou-me embora pra Pasárgada.”

 

Ele queria ir para a pasárgada por que lá ele seria feliz.
Mas ele estava aqui, bem aqui e agora, e já que felicidade é “estado de uma consciência plenamente satisfeita”, como poderia uma consciência estar em uma localização e o corpo físico em outra?
Bandeira que me desculpe, mas de nada iria adiantar ele se rumar para a pasárgada para arranjar um bocadinho de felicidade e amor.

De nada ia adiantar.

Eu fui como Manoel por um bom período da vida. Até semana passada talvez e, as vezes ainda acordo morrendo de vontade de ir embora, as vezes o lugar que a gente está nos engole, e a gente engole o grito, engole a insatisfação, e acaba inflando por dentro de tal forma que chega uma hora que a gente não cabe mais onde está.

 Eu raras vezes caibo.
Sou tsunami, confesso e nem sempre me orgulho.

Mas tudo lá dentro trancadinho e quase ninguém vê, quase ninguém percebe, mas agora você sabe.
Nem me lembro a vez que me descobri tsunami, foi há tanto tempo…
Não é fácil ser isso tudo aqui dentro por tudo e por nada. Pouca gente entende.
A meditação ajuda, a hipnose ajuda, mas tem dias que o desespero brota dos olhos sem querer parar, por motivo nenhum.

Entenda: DESESPERO por motivo nenhum. Sabe o que é isso?

Eu, já quis “ir embora pra pasárgada” e pra infinitos outros lugares. E, algumas vezes já fui até.  Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o tsunami me acompanhava e continuaria acompanhando onde quer que eu fosse. Antes eu pensava que ir adiantaria, hoje eu sei que não, hoje eu sei que na Pérsia, em São Paulo, na lua ou em qualquer outro lugar, eu vou ter que dar meu jeito de ficar comigo e com o mundo, sabendo acalmar as minhas ondas e entendendo que ora eu vou nadar, ora lutar para sobreviver.

Isso é parte de mim, acontece em mim, depende de mim.

Porque, ao contrário do que eu sempre pensei: a tranquilidade não é um lugar.

** A imagem do topo desta postagem não é de autoria deste blog. Qualquer problema, entrar em contato com a gente. Atenderemos prontamente**

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