deixar fluir

A Raridade do Deixar Fluir

Deixar fluir

Este texto harmoniza com Sick of losing Soulmates.

Bom mesmo é quando a gente tem a chance de se despedir, mas nem sempre é assim.
Uma vez eu li em algum lugar que a forma de amor mais bonita é amar a liberdade do outro. E neste caso, liberdade, não tem absolutamente nada a ver com ser leviano ou desleal. Muito pelo contrário. Tem a ver com ser leal aos seus próprios princípios e metas de vida. Tem a ver com amar independente de fronteiras.

Uma relação onde se conhece as diferenças e defeitos, por assim dizer, e onde você é intensamente amado apesar de tudo e se for sortudo de verdade, você será amado por causa de tudo. Inclusive os defeitos.
Aquele amor que deixa a gente colocar de lado, tudo que a gente acha que sabe e conhece e o que nos foi apresentado sobre a ‘normatização’ de relacionamentos, e se permite simplesmente seguir o que brota no peito em tempo real. Sem se obrigar a nada. Sem se obrigar a gostar de ganhar/enviar buques de rosas vermelhas, só porque te disseram que é legal, ou odiar que o seu par vá a um barzinho com os amigos sem você, só porque alguém disse que é sacanagem.
Sacanagem mesmo é seguir regras em algo que, tal qual um rio, apenas deve seguir o curso. As amarras que delimitam o que sempre deve acontecer e o que não deve, faz com que as coisas fiquem cada vez mais sem graça. E você só não entende porque antes era tão mais legal…

O amor que eu descrevo aqui, não liga se você vai esperar 1 mês pra pedir em namoro ou anos. Ele não liga se o casamento tem que vir depois dos 3 anos ou não tem que vir nunca. Este amor descrito aqui é aquele que não te obriga a comprar um terreno junto e nem viajar todo ano um do lado do outro. É aquele que só vai acontecendo, e você vai deixando e vai se deliciando com as adversidades do caminho, agindo só e exclusivamente pelo próprio impulso.
Por que a nossa natureza é livre, mas por um motivo ou outro que seja, a gente acorrenta a nossa liberdade e só faz acontecer o que não parece insano. A loucura intensa é tão rara. E as vezes faz tanta falta.
A loucura só, a loucura em dobro ou seja lá como for. A loucura permitida, concordada, aquela que só flui com a gente, sem parar pra avaliar a coerência das palavras, dos atos, dos fatos e ruídos. A loucura permitida que vem junto com aquele frio na barriga raro e tão bom de sentir que a gente encontra sempre que faz o que quer fazer bem lá no fundinho.

A gente fala que não tem medo, mas a gente tem sim.
Vivemos a vida fazendo as coisas que disseram que era certo, emprego, casa, alimentação, estudo, horário, rotina… Mas quando somos chamados pelo acaso somos incapazes de nos deixar ser carregados pelo vento. Incapazes de deixar fluir. Incapazes de deixar que a liberdade que mora em nós venha a tona e nos tome por inteiro.
Somos feitos inteiros de alvedrio, mas temos medo de relaxar. Assim, quando vem o impulso forte a gente pula, e sente o toque do destino na pele da gente, e arrepia e dá frio na barriga.
Tão raro.
Falta coragem.

Aqui vai o meu mais sincero desejo para o seu hoje: que você nunca mais tema a própria liberdade nem as consequências que possam vir da aceitação dela. Que seus momentos de aceitação sejam cada vez menos raros, que a gente se aceite livre, que seja livre, que ame livre e que nada mais além disso importe. Por fim, eu desejo que na sua próxima despedida, o frio na barriga te preencha de tal forma que não haja espaços para dor e lamento de tão permitido e grandioso que foi o amor.

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