A Popularidade Forçada

A popularidade forçada

 

 

 

 

“Todo sorrisos” com cara imponente de quem nunca teve uma dor de dente ou uma unha encravada no dedão do pé. Um copo cheio, mas não se sabe de quê.
Passa a vida mostrando. Mostrando o que tem, o que compra, o que conhece, o que ouve. Mostra tudo de uma vez e com muita rapidez pra que não haja tempo de ninguém ver o que realmente é.

Tem gente que tem medo de escuro,
De altura e de trovão,
Relâmpago e tubarão,
Conheço gente que foge de cachorro fofo e de gatinho peludo,
Entendo todos eles, só não entendo quem sai na rua com medo de ser imperfeição.
Perfeito, de peito inflado e, muitas vezes, ego vazio.

Eu nunca fui a criatura mais simpática, ou a que passa sempre feliz mostrando os dentes na rua. Sempre tive a intenção de ser o mais cordial possível com os que cruzaram meu caminho, mas eu confesso não tirar tempo do dia pra querer popularidade.
O signo diz o contrário, e eu que sempre acreditei tanto em astrologia, neste ponto, sou obrigada a discordar.
Nunca foi meu forte ser popular. E eu nunca tive essa intensão. Eu não me enquadro na definição de “popular” que o mundo dá pras coisas.
Sempre gostei de buscar conexões pessoais interessantes, e por assim dizer, intensas pra minha vida. Onde o “em comum” ultrapasse o gosto por esmaltes ou a banda favorita. E eu considero impossível fazer este tipo de conexão sendo uma rocha indestrutível com grossas camadas de doçura e beleza.
Eu não me enquadro (e confesso não simpatizar) com nenhum tipo de perfeição.
Eu erro. E muito. Falo coisa errada. Me arrependo. Brigo com gente inocente. Ofendo.
Eu erro com meus amigos. E muito. E todos os dias. E me arrependo. E me martirizo. E tento concertar. Às vezes em vão.
Eu não sou perfeição nem aqui nem em galáxia nenhuma. Desta forma, eu não sou popular. Nunca fui.
E tenha certeza de que se um dia a gente se encontrar na rua, eu vou estar compartilhando, como sempre, desta minha estrutura facilmente quebrável e tropeçando em todas as atitudes que, as vezes, eu tomo na inocência de que alguém no mundo em algum espaço/tempo vai se identificar. Alguém que vá preferir ter do lado um balde cheio de verdades exageradas e feias, do que um bibelô de gesso popular.
O popular não me atrai. E isso não é intencional. Eu só sei ser assim. Da mesma forma que eu só sei amar assim. Gente cheia de imperfeições e erros. Que fala besteira e se arrepende, que vive quebrando a cara e tendo que consertar, que já colocou roupa do avesso pra caramba, e caiu em balada mais do que seria socialmente aceitável. Essa é a condição pra sentar na minha mesa e dividir a breja: aceitar toda essa humanidade torcida (certa para mim), essas falhas desarranjadas de gente que as vezes tenta acertar e outras vezes só cansa e deixa rolar, mas sempre se permitindo a “humanice” de poder errar, no fim das contas.
Automaticamente, o meu radar sempre procura a imperfeição pra se aliar, pra trocar algumas risadas, ou não, tanto faz. Pra trocar verdades.
Eu não sei ser popular, eu só sei ser humana.


Bia

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