Uma coisa que a escrita me ensina todos os dias, é que em primeira instancia a gente morre por dentro, entalado. Pra depois morrer por fora. E a escrita, a escrita salva.

A escrita salva

– A escrita salva!

As vezes eu sento pra escrever, ligo minha playlist instrumental e começo a por a palavras no papel. Isso é como um mergulho. Nem sempre de primeira você consegue bons resultados. Tudo o que você sabe é a respeito da sensação que quer sentir, mas não sabe onde chegar e o que irá encontrar por lá. E tem dias que nada de bom surge nas entrelinhas. Na maioria destes dias eu me reservo o direito de não postar nada. Nestas e outras acabo por ter meses sem muitas ou grandes postagens.

Sempre que eu me sento pra escrever, procuro separar algumas horas pra isso, não porque eu demore muito pra escrever: geralmente as palavras pulam rapidamente pro papel e em 20 ou 30 minutos eu já tenho um texto consideravelmente longo em mãos. Talvez não bom como poderia ser, mas ainda sim, um texto. Mas mesmo assim eu insisto em separar horas. Isso porque como eu já disse: é um mergulho.
É preciso tempo pra atingir a profundidade, nos dias em que isso é possível.
Porem, quanto mais fundo, mais frio. É preciso coragem pra permanecer por muito tempo lá no fundo.
A parte boa vem depois. Quando tudo está alí diante dos seus olhos naquela extremidade que antes era pálida e agora tem caneta e suor, as vezes sangue também, você sente um alívio.

Você nadou por horas, lugares escuros e muitas vezes não frequentados. Você arrancou coisas de lá, as reviveu e as matou logo em seguida. Uma guerra submersa de você com tudo que você abriga ai por dentro.

Se tem uma coisa na qual eu acredito é que todo mundo precisa da escrita. Todo mundo precisa deste momento onde é você se revirando e trazendo as coisas pra superfície, pra depois decidir se eterniza ou não. A fala é inconsequente, a escrita é também. Mas é velada. É muito mais fácil de controlar os olhos que leem do que os ouvidos que escutam uma boca sincera mergulhada a uma certa profundidade.
Eu já disse e repito: a escrita salva. Já me salvou incontáveis vezes, inclusive da morte, eu diria.

Eu não tenho a pretensão de achar que eu seja uma escritora das melhores, mas eu também não tenho a audácia de dizer que eu poderia seguir a vida sem escrever.

Hoje mesmo é um dia destes, dia de mergulhar em mim e trazer o melhor e o pior. Sem julgamentos e sem pretenções. Só mergulhar e explorar. Nem sempre eu gosto do que vejo sair, nem sempre eu mostro o que vejo sair. Mas eu deixo sair. Acima de tudo e de qualquer coisa, eu deixo sair.

Uma coisa que a escrita me ensina todos os dias, é que em primeira instancia a gente morre por dentro, entalado. Pra depois morrer por fora. E a escrita, a escrita salva.
<3
Bia

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