A Busca Por Coisas Maiores

Busca por coisas melhores

Estamos todos em busca de alguma coisa. Tem gente que cospe alto aos quatro ventos mil certezas a respeito disso, diz com o peito cheio saber exatamente o que está buscando. Eu admiro demais estas pessoas, estas que sabem o que buscam. E ao mesmo tempo, tenho receio de estar presenciando mentes utópicas.
Mas isso não é triste. Triste é alguém quando eu encontro alguém que não busca nada. Ou pelo menos acha que não busca nada.

Eu vejo no mundo, no banco, na fila do supermercado, na farmácia e atrás dos balcões das lojas semblantes em busca de algo e eu gosto de brincar de imaginar as coisas que as pessoas buscam. A atendente da loja sonha em tirar uma foto com o ator daquela serie bonita dos anos 90, o menino que empacota as minhas compras sonha em jogar pôquer em Vegas, a senhora que caminha com seu andador na calçada, sonha em ver os jardins encantados em uma daquelas casas bonitas em Londres. Alguém em algum lugar se imagina tomando um sorvete com o melhor sabor do mundo sentada na areia da praia mais bonita do país em uma segunda feira qualquer. A menininha na cama elástica sonha em poder correr pelo gramado mais extenso do universo junto com o seu bichinho de pelúcia favorito que tem vida, talvez pegar carona em um dinossauro. Não importa, não tem limites. Mas as buscas, pra mim elas existem mais do que sangue em nossas veias. Existe e é latente.

O caso é que enquanto a gente busca, outras coisas acontecem e, eventualmente, são coisas que deveriam ser menores do que as nossas buscas. Mas a gente aumenta as pequenas coisas e as transforma, muitas vezes em monstros. Eu penso sempre que é pra aumentar a emoção da vida, mas não sei se é certo pensar assim. Pirar por coisas que não existem é coisa de mente vazia demais, triste demais. Mas o que são as buscas, então?

Enquanto eu caminho por aí, eu me coloco a frente e ao lado das coisas que eu chamo de pequenas: Uma solidãozinha que bate no meio da festa, uma comida que não terminou saindo do jeito que tinha que ser, uma doença fora de hora (sempre é fora de hora), uma pessoa que parte, uma bolsa no chão que traz azar, uma casa que desmorona (figurativamente ou não), perder sua camiseta favorita no próprio guarda roupas, aquela viagem que era pra ser a melhor de todas e não foi, aquele sabor de sorvete cuidadosamente escolhido e tão grandiosamente decepcionante, e por ai vamos…
Coisas que acontecem e nos ocupam os pensamentos até que a gente esbarre numa coisa maior, um ápice de uma música maravilhosa, uma paisagem bonita bem do lado da sua casa, uma frase bonita em um filme, uma pessoa maravilhosa (figurativamente ou não), uma situação única, uma coisa maior. Nem sempre é o que a gente busca, mas eu tenho que te dizer que pode ser muito melhor. Isso por que, durante o momento em que a coisa maior acontece, a bolsa fica esquecida no chão e pouco te importa a maldição de ficar sem dinheiro por conta disso, o chinelo virado não faz o menor sentido, aquela casa que desmoronou parece ter jeito e a doença nova é apenas um mero detalhe entorno ao todo resto que pode ser aproveitado no agora.

Estamos todos em busca de coisas maiores, coisas que nos farão deixar de lado as menores. Coisas tão grandes que nos farão esquecer a maldição do chinelo virado, ou o nosso medo do escuro, ou aquele mini pavor de pisar em plantinhas no fundo do mar. A gente esquece as preocupações criadas pela parte vilã da nossa mente. Agora temos uma distração real, e tão soberana que não precisamos inventar ou aumentar nada. É o fim da síndrome Walter Mitty. E você está aí, no agora, pouco se importando com o valor que você representa pro mundo, já que os pulmões estão cheios demais do que o mundo pode representar pra você.
E as coisas tem jeito, tem solução, e se não tem, são bonitas enquanto foram, enquanto são, enquanto forem. Você respira fundo, ouve tudo e olha tudo. Tira os sapatos e sente tudo. Adere o momento todo pra dentro de você desejando que, se não durar pra sempre, que você consiga guardar todo esse sensorial na memoria, pra quando só houverem coisas menores pra ver.

Depois de ler, você pode dançar ao som de Bouncing Souls .


Bia

Deixe uma resposta