O que eu vejo

E eu vejo caminhando por ai, seres humanos que, de tão cheios de si e das suas próprias certezas cegas, mal podem ver o outro, ou as dores deles, ou as lágrimas deles. Humanos que caminham tão rápido, com seus passos firmes, que mal tem tempo de olhar, mal tem tempo pra entender.

Eles esperam o perdão de cima por erros do passado, enquanto se castigam com golpes duros de “presente”, contanto com um futuro que pode não vingar.

Hipócrita de não se deixar entender. Hipócrita de não querer saber.

Tudo julga, tudo sabe;

Olha pro horizonte com olhos de quem conhece o que tem lá;

Caminha com passos de gigante o mundo que nunca tomou como dele;

Anda com medo, mas nega;

Faz o que não gosta, mas nega;

Reza sem crer, mas nega;

Pede o certo e quer o duvidoso;

Dia e meio de esforço por hora pra ser o que se espera;

Pisa em lágrimas alheias e espera a valorização das suas próprias;

Deseja o excêntrico mas segue uma multidão;

Finge que aprendeu;

Finge que sabe;

Finge que não sofre;

Finge ser bom menino;

Grandes embalagens de mentiras se equilibrando em pernas de pau;

Vez ou outra alguma desmorona e é julgada por outros que ainda não caíram;

Vez ou outra alguma cansa e resolve mudar e é julgada pelos que ainda se sustentam;

Pelejam dia a dia pra manter suas farsas regadas aos bons costumes de uma sociedade tradicionalista, que mesmo depois de tanto tempo fazendo a mesma coisa do mesmo jeito, não sabe o que faz.

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